Maria José dos Santos, 63, nasceu nas Barreiras, povoado da cidade de Coruripe. Criança já tinha como diversão a dança do pastoril. O amor pela cultura popular veio de berço. O pai, Dionísio Faustino dos Santos, contava histórias para a comunidade, sempre em versos. A mãe, Terezinha Maria, não perdia de ver uma disputa entre o azul e o encarnado.
Festejar também nos caboclinhos. Seguindo uma trajetória de cultura popular, Maria José deu as mãos ao guerreiro. O casamento foi breve, de pouco mais de 1 ano. “Mas foi só porque o mestre, o Mané da Trepa, foi embora. Eu adoro essa brincadeira. Antes de morrer, vou ter um grupo meu”, avisa.
Entre tantas brincadeiras, a mestra das Barreiras nunca deixou de lado as baianas. “Eu nem lembro quando comecei. Eu era solteira. Dançava com a mestra Mina Elvina”, diz. Foi esse folguedo que garantiu a Maria José o título de patrimônio vivo alagoano.
Há oito anos, ela criou o grupo Baianas Praieira, numa referência ao belo cenário do Litoral Sul. Com elementos do pastoril e do coco, a festa reúne 12 mulheres, três tocadores e um rimador, todos moradores das Barreiras. Entre os herdeiros, a mestra já conquistou interessados. A filha, Maria Betânia dos Santos, 44, se espelha na baiana. “Eu trabalho com jovens. Não danço, mas ensino aos meninos da comunidade o xaxado, o pastoril e o coco. Participamos de muitas festas na região”, fala entusiasmada.
A próxima empreitada da dupla será um grupo de baianas mirim. “Quero reunir minhas netas, as garotas da região, e ensinar tudo que sei”, diz a matriarca. Maria Betânia é todo apoio. “Eu acho ótimo essa coragem dela. No que precisar de mim, estou às ordens. Gosto também de tê-la no meu coco, brincando no meio da molecada”, conta.
