O Brasil pode ter vencido os Estados Unidos na disputa pela sede da Olimpíada de 2016, mas terá que mudar o papel do esporte no país para tentar rivalizar com os americanos e outras potências olímpicas na competição daqui a sete anos. E a pressão por resultados veio de cima. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou, neste sábado, que os atletas do país tenham um desempenho de destaque, contrário ao que normalmente marca as participações do Brasil nos Jogos.

Para o ministro do Esporte, Orlando Silva, será necessário uma reforma geral na administração esportiva para que o país repita o sucesso de nações como a China, por exemplo, que desbancou os Estados Unidos e sagrou-se como grande vencedora dos Jogos de Pequim-2008.

– Vamos ter que recomeçar do zero – disse o ministro. – Temos a oportunidade de mudar a política esportiva brasileira, usando os Jogos de 2016 como plataforma para o desenvolvimento do esporte brasileiro como um todo. O importante é que vamos começar algo novo, partindo do zero.

Lula fez uma cobrança pública por resultados melhores quando os Jogos forem realizados pela primeira vez na América do Sul. De acordo com o presidente, uma das prioridades para a Olimpíada será traçar um plano de metas com todas as confederações esportivas.

– Temos que começar a pensar o que o Brasil quer nessa Olimpíada como um país competitivo. Vamos ter que fazer uma reunião com todos os presidentes de confederação e exigir que eles apresentem suas metas, para depois disso a gente montar uma estratégia de fazer as coisas acontecerem – disse Lula. – Vamos ser profissionais, da mesma forma que nos preparamos para a vitória (na votação). Daqui a 10 anos, quero que o Brasil seja uma potência olímpica, temos condições para isso.

Busca por talentos na escola

A estratégia do governo incluirá uma maior participação das escolas, segundo revelou o ministro do Esporte antes da votação olímpica.

– Todo país do mundo relevante do ponto de vista esportivo tem na escola a formação da base dos talentos e na universidade um espaço prioritário de competições de bom nível e preparação desses atletas para grandes competições internacionais – disse o ministro, que considerou “deficiente” o programa brasileiro de esporte nas instituições de ensino.

Lula ainda brincou cobrando o ouro no futebol em 2016.

– Vamos ganhar pela primeira vez uma medalha de ouro no futebol na Olimpíada de 2016. Se a molecada não ganhar, vamos dar cascudo neles.

O presidente afirmou que a oposição não deve criar problemas políticos que dificultem a organização da Copa e da Olimpíada.

– Não posso crer que neste momento haja oposição contra a Olimpíada. Não creio que haja político tão baixo que vai tentar atrapalhar este momento mágico do Brasil. A conquista da Olimpíada e da Copa do Mundo não é do governo, mas do povo brasileiro e isso inclui as pessoas de oposição.

Segundo o presidente, o plano de investimentos visando a preparar o país para a realização da Copa do Mundo de futebol e para a Olimpíada de 2016 prevê, até 2013, US$ 359 bilhões. Lula disse ainda que esses eventos não vão tirar o foco dos problemas sociais do país.

– Não há possibilidade de uma Copa do Mundo, de uma Olimpíada tirar o foco dos problemas socais. No fundo, no fundo, esses eventos são uma oportunidade para que a gente possa resolver esses problemas – disse Lula.

Em novembro, será realizada a primeira visita de integrantes do Comitê Olímpico Internacional (COI) à agora cidade olímpica. Neste domingo, o prefeito Eduardo Paes deve reunir seu secretariado para começar os trabalhos visando aos Jogos de 2016. Carlos Arthur Nuzman, comandante da bem-sucedida candidatura do Rio, anunciou, neste sábado, que será o chefe do comitê organizador dos Jogos. Ele disse que haverá uma transição suave entre a organização montada para a candidatura e o comitê organizador dos Jogos. O secretário geral será Carlos Roberto Osório.