A prova de conhecimentos gerais (prova 1) do concurso para 450 vagas de auditor-fiscal da Receita Federal engloba as disciplinas de língua portuguesa, língua estrangeira, raciocínio lógico-quantitativo e direitos civil, penal e comercial.
As disciplinas com maior quantidade de questões e peso 2 são português e raciocínio lógico-quantitativo, que engloba ainda matemática básica e financeira e estatística.
Mas, independente disso, o candidato deve acertar, segundo o edital, 40% das questões de cada disciplina - no caso de português e raciocínio lógico-quantitativo, 8 de 20 questões, de língua estrangeira, 4 de 10 questões, e direito civil, penal e comercial, 8 de 20 questões.
A Receita Federal abriu na segunda-feira (28) as inscrições para 450 vagas de auditor-fiscal, um dos concursos públicos mais esperados pelos candidatos. O salário é de R$ 13.067,00
Língua portuguesa
Segundo o professor de português Renato Aquino, nos itens da disciplina de língua portuguesa está praticamente a gramática toda. Por isso, ele aconselha o candidato a estudar o conteúdo por meio de provas anteriores.
De acordo com Aquino, a Escola de Administração Fazendária (Esaf) costuma colocar de quatro a cinco textos na prova e, em cima deles, fazer as questões, tanto de interpretação quanto gramaticais. Mas devem ser pedidas ainda questões independentes de gramática.
“A prova costuma ser longa, por isso, o candidato deve controlar o relógio e tomar cuidado para não perder muito tempo. Os assuntos principais abordados são concordância verbal, regência verbal, crase, pontuação e coesão textual”, diz.
“Mas já vi provas da Esaf de português que metade das questões era sobre concordância”, alerta.
Ele diz ainda que podem ser cobradas questões em que o candidato deve apontar os erros gramaticais contidos no texto. Os erros podem ser de concordância verbal e nominal, regência verbal e nominal, crase e colocação pronominal . Outro costume da Esaf, segundo Aquino, é pedir para o candidato colocar em ordem trechos de um texto ou apresentar uma frase e nas alternativas colocar as que poderiam dar prosseguimento àquela oração.
Ele diz que as novas regras ortográficas podem ser pedidas, principalmente nas questões de erro gramatical.
Segundo ele, as questões de interpretação de texto não devem passar de quatro. O restante deverá ser de gramática. “Por isso é bom fazer muitos exercícios em cima dos tópicos do edital”, diz. Segundo Aquino, a Esaf costuma ainda finalizar a prova com uma ou duas questões sobre pontuação.
Inglês
Carlos Augusto Pereira, professor de inglês para concursos e autor do livro “Inglês para concursos das áreas fiscal e bancária” diz que a melhor forma de estar preparado para a prova de inglês é ler muito. “Mas tem que ser seletivo. Não adianta sair lendo receita de bolo se a prova vai falar de um jargão econômico ou tributário muito pesado”, alerta.
Ele aconselha o candidato a fazer provas anteriores, principalmente da Esaf, “que é uma banca muito criteriosa e exigente e está aumentando o nível de dificuldade a cada ano”.
O professor considera que a Esaf cobrará vocabulário técnico nos textos. Por isso, ele recomenda que os candidatos leiam textos das revistas “The Economist”, “BusinessWeek” e “Newsweek” e do jornal New York Times – segundo Pereira, artigos dessas publicações já foram cobrados pela organizadora em concursos anteriores.
“A Esaf vai buscar exatamente esse texto econômico, específico e muitas vezes analítico”, diz.
Segundo ele, no concurso de 2005 da Receita, a prova de inglês trouxe dois textos carregados no jargão tributário e um terceiro falando de um executivo que teve enfarte por estresse.
“O candidato deve desenvolver a velocidade de ler a cada dia notícias e artigos referentes a determinados tópicos que se repetem, como aumento da taxa de juros, por exemplo. Nos textos há repetição de termos e o candidato pode se familiarizar. Se não ler inglês fluentemente, na prova não dá tempo, tem que estar muito treinado”, explica.
“Claro que quem já tem bom vocabulário e gramática sai na frente, mas tem que estar atento à linguagem técnica”, alerta.
De acordo com Pereira, a Esaf cobra conhecimento de gramática indiretamente nas alternativas e nos textos. Ele diz que é provável que haja pelo menos uma questão baseada em expressão idiomática, com linguagem metafórica.
Raciocínio lógico, matemática e estatística
Carlos Alberto de Lucca, professor de raciocínio lógico, matemática e estatística, diz que na disciplina de raciocínio lógico há a parte de lógica formal que cai em vários concursos. Além disso, está no conteúdo a parte de matemática de nível médio que cai muito nos vestibulares – trigonometria, matrizes, determinantes, álgebra, análise combinatória e probabilidade.
Está prevista ainda matemática de nível fundamental em assuntos como razão e proporção, regra de três e geometria básica.
Já na parte de matemática financeira, segundo De Lucca, é o mesmo programa pedido tradicionalmente em concursos da Receita, como juros simples e compostos e taxa de juros (item 10 do conteúdo). Na parte de estatística (item 8), a novidade é a parte de teste de hipóteses, que não caiu anteriormente no concurso.
“O conteúdo é extenso, por isso, deve-se estudar matemática financeira e estatística com provas anteriores. Para o aluno quem vinha estudando o conteúdo é basicamente matemática financeira, estatística e raciocínio lógico que caem tradicionalmente nas provas, mais matemática de ensino médio e fundamental e testes e hipóteses dentro de estatística”, explica.
Para De Lucca, o candidato deve priorizar primeiro na hora dos estudos o raciocínio lógico tradicional, seguido de matemática financeira, depois estatística, e então matemática de ensino médio e fundamental.