O deputado Marcos Ferreira (Sem partido) usou a tribuna na sessão desta quarta-feira, da Assembleia Legislativa de Alagoas, para criticar o “abuso de poder” do ministério Público Estadual, no Estado. O parlamentar ganhou o aval de alguns colegas, que em a parte, também comentaram sobre as operações em Alagoas.
No início de seu pronunciamento, Marcos Ferreira falou que Alagoas vive um momento pirotécnico e policialesco. “Hoje Alagoas está mais movimentada do que quando ocorreram as algemas da Operação Taturana. Mas tudo isso está sendo acabada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), disse o deputado, recriminando ainda a postura da 17ª Vara Criminal, que para ele, está agindo fora da forma como deveria fazer. “Temos que ver os limites das leis”, completou.
O deputado reclamou ainda do Tribunal Federal Federal da 5ª Região, que na semana passada denunciou 25 pessoas envolvidas na Operação Guabiru. Segundo ele, o MPF busca na justiça o ressarcimento de R$1.3 milhões em recursos federais desviados por seis prefeituras alagoanas, o que se contradiz o que se comentou na época da operação, onde divulgavam valores em torno de R$50 milhões. Ferreira perguntou o porquê do secretário de Agricultura, Jorge Dantas, não foi indiciado também, já que estava também foi preso na operação.
Um dos momentos mais “calorosos” no discurso de Ferreira aconteceu quando o deputado criticou o promotor Luiz Tenório. A partir daí, vários outros parlamentares tomaram a parte para defender o colega e questionar as posições do promotor. Os deputados resolveram comentaram sobre a Operação Primavera, que prendeu 11 pessoas - entre elas a primeira-dama - em Olho D’Água das Flores, acusadas de superfatura verbas para calçamento na cidade e de “construir” duas vezes a mesma escola.
“Não existe laudo assinado por engenheiro, sobre essa possível escola. Interessante é que as operações em Alagoas acontecem sempre as sexta-feiras, para que a justiça não apure os fatos mais rapidamente. Não pode existir um julgamento precipitado”, indagou.
O ex-presidente da ALE, Antonio Albuquerque (Sem partido), também se posicionou sobre o assunto. Ele explicou que é preciso agir de maneira menos enérgica e com respeito ao cidadão. “A prisão daquela senhora é covardia. Coragem é uma coisa que não me falta. Até porque aceito a injustiça calmamente, certo de que um dia a justiça verdadeira virá á tona. Fui algemado, e humilhado, inocente como cristo”, afirmou.
“Tenho respeito do MP. Em todos os momentos defendi o TJ de Alagoas nas suas solicitações. É preciso que observem os limites de cada um e que seja respeitada a harmonia dos poderes. É impossível que possa provar sua inocência, depois que sair de sua cidade, acusado de fazer aquilo. No Ministério público tenho grande e valorosos amigos, maior relação, mas ele não é diferente de todas as instituições do Brasil e do mundo”, contou.
Sobre o promotor Luiz Tenório, Albuquerque disse que o conhecia, mas que ele deveria ser julgado por abuso de conduta. Em Olho D´Água das Flores, de acordo com o deputado, o Prefeito foi barbaramente condenado por antecipação. “Foi humilhado, pois preferia ser preso no lugar de sua mulher. É preciso de forma respeitosa e democrática, que o legislativo busque corrigir alguns de seus erros, já que todos os seres humanos praticam erros”, emendou.
Em relação a atuação da 17ª Vara, o ex-presidente detalhou que ela foi aprovada quando ele presidia a Assembleia Legislativa. E que o intuito dos deputados no momento da criação era de observar o combate ao crime organizado.
“Infelizmente a 17ª vara se transformou num instrumento de perseguição. Eles buscam um minuto de fama. Não olham no retrovisor de suas vidas, suas condutas num passo recente. Está casa tem que preparar os reparos, determinando os limites, para que possamos ter a tranqüilidade. Causa terror, pânico. É previsto que haja uma revisão, cada um no seu direito. Sempre mantendo respeito pelas pessoas e instituições”, concluiu.
