Por ano, 23,5 mil acidentes na construção civil são notificados ao Ministério do Trabalho. O número equivale a uma média de cerca de 65 acidentes por dia, ou 2,7 por hora. O setor é o quinto em ocorrências, de acordo com a rede de locação de equipamentos Casa do Construtor, que promoveu esta semana, em Itupeva, São Paulo, a 2ª Jornada de Segurança na Construção Civil.

– Mesmo alto, o número deve estar bem abaixo da realidade, já que o segmento tem muita informalidade. Muitas ocorrências não são computadas pelas estatísticas, seja pela informalidade, pela falta de comunicação, medo do empregador ou ignorância da obrigatoriedade das notificações – explica o engenheiro Expedito Arena, um dos diretores da Casa do Construtor.

Segundo Arena, a maioria dos acidentes na construção civil decorre de condições inseguras, inadequação dos equipamentos e falta de informação e preparo dos envolvidos, de trabalhadores a engenheiros.

O especialista ressalta que as normas de regulamentação do trabalho vêm sendo mais bem elaboradas, com o diálogo entre técnicos representantes dos trabalhadores, empresários e Ministério Público. Arena chama a atenção, no entanto, para um grande diferencial do setor em relação a outros: a diversidade de tarefas e a complexidade das obras.

– Numa indústria, quase sempre o operário trabalha com a mesma máquina e no mesmo setor. Como no Brasil a construção, de maneira geral, ainda é muito artesanal, fica quase impossível ao trabalhador obedecer às regras, quando de manhã cava uma valeta, à tarde levanta uma parede, e depois realiza serviços no telhado – exemplifica.