Embora a decisão da senadora Marina Silva de trocar o PT pelo PV tenha mexido com o quadro eleitoral de 2010, os verdes não receberão "peças carimbadas" para fortalecer palanques estaduais na provável candidatura própria à Presidência da República, afirmou o presidente da sigla, José Luiz Penna, em entrevista ao UOL Notícias.
Penna negou que o PV tenha entrado em contato com várias celebridades e figuras da política nacional para dar musculatura à eventual candidatura de Marina, como o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, ou escritor Paulo Coelho.
Nos últimos dias, esses e outros nomes que poderiam dar impulso à candidatura de Marina à Presidência foram citados na mídia como possíveis novos quadros do PV. O prazo de filiação para os interessados em disputar as eleições de 2010 termina na próxima quarta-feira (30) e só depois disso o cenário para as disputas estaduais, que dão impulso à nacional, será traçado com mais firmeza.
"Não vamos trazer peças carimbadas. Onde houver a possibilidade de trazer pessoas com densidade, traremos. Mas o [deputado Fernando] Gabeira no Rio, por exemplo, dispensa a vinda de outras pessoas", disse o presidente do PV na entrevista. "O tempo todo ficam dizendo que um ou que outro está vindo. [A imprensa falou] até no Ivo Cassol [governador de Rondônia]! Ninguém falou com eles."
Apesar da negativa, Penna deve passar o fim de semana em viagens para trazer novos membros para o PV. Um dos que discute filiação na sigla é o empresário Roberto Klabin, sócio da fabricante de papéis Klabin. "Ele vai se filiar, está junto no processo com a Marina", afirmou.
Outros nomes cogitados para entrada no partido são os do ator Victor Fasano e da atriz Christiane Torloni - ambos estiveram no evento de filiação de Marina em São Paulo.
O presidente do PV afirmou também que a provável candidatura de Marina já está sofrendo com tentativas dos potenciais rivais na disputa de desqualificá-la. "Os nossos adversários tentam restringir nossa ação para uma coisa temática. Não é verdade. Nós queremos mudar o modelo de desenvolvimento que já causou tanta dificuldade no mundo", declarou.
Alianças
O PV é ou foi aliado da maioria dos governos estaduais da atualidade e participa desde o início da base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também dá sustentação aos dois principais governos do PSDB - São Paulo, com José Serra, e Minas Gerais, com Aécio Neves. Mesmo assim, Penna não vê dificuldades para construção de um discurso próprio para a candidatura de Marina, ex-ministra do Meio Ambiente, à Presidência.
"O partido não negocia seus passos futuros. Nós apoiamos o segundo turno do Lula, o segundo turno do Serra, depois apoiamos [o prefeito de São Paulo, Gilberto] Kassab. Cabe a eles o ônus de demitir ou permitir que continuemos trabalhando nas coisas que são caras para nós. Então não tem esse troço, ninguém vai influenciar a trajetória futura do partido. Não tem contradição", disse.
Penna refutou as críticas do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), potencial adversário de Marina na corrida presidencial, que na edição de sexta-feira (24) do jornal "Folha de S.Paulo" afirmou que o presidente do PV fará "o jogo do PSDB e o DEM" para favorecer Serra. "Eu não escreveria as coisas que o Ciro Gomes fala. Ele tem essa coisa, não entendi para que ele disse isso", alfinetou.
Entre os potenciais aliados, disse Penna, estão governistas e oposicionistas porque o debate será sobre "o cenário do Brasil pós-Lula e uma discussão de um projeto para um Brasil sustentável, uma ambição tardia de colocar o Brasil no século 21.