Os boxes da Renault não têm mais os principais participantes do episódio do ano anterior, a batida proposital de Nelsinho Piquet, arquitetada por Flavio Briatore e Pat Symonds. O piloto já havia sido demitido. Os dirigentes foram afastados pela equipe e depois suspensos pela FIA. Sob a direção de Bob Bell, a Renault que chegou a Cingapura é bem diferente, embora ainda pague os preços da farsa de 2008.

Cercado por jornalistas de todas as nacionalidades, o novo dirigente respondeu com paciência a perguntas sobre uma gestão que não era dele, buscando justificativas até para a queda de rendimento depois dos títulos de 2005 e 2006. Se comandar um time de Fórmula 1 não fosse o sonho do britânico, dava para dizer que entrou numa enrascada.

“Nós vamos superar tudo isso”, repetiu quantas vezes pôde.

Referia-se à armação do ano anterior e ao fato de assumir o time completamente abandonado pelos patrocinadores: na semana da corrida, ING e Mutua Madrileña pediram para que suas marcas fossem retiradas dos carros.

“Não foi uma surpresa para nós. Já esperávamos que isso acontecesse. Foi uma decepção grande, mas temos que seguir em frente. Vamos mostrar que a equipe merece recuperar a reputação que sempre teve”, disse o dirigente.

A confiança é que o assunto seja esquecido com a punição aos responsáveis. O time parece já ter deixado tudo para trás: os mecânicos trabalham sorrindo. Se a prova cingapuriana causou o momento mais difícil da Renault em 2008, parece ter efeito inverso em 2009.

A administração de Bob Bell mostrará à Fórmula 1 se foram ou não irreversíveis os danos causados pela polêmica envolvendo a primeira edição do GP de Cingapura. Consciente disso, fez questão de mostrar-se confiante durante todo o tempo, como quem saberá lidar com a eventual perda do principal piloto, Fernando Alonso, e até mesmo tentar demover a ideia da Renault abandonar a categoria.