Embora tenha mantido a base da seleção que conquistou a classificação antecipada para a Copa do Mundo na convocação anunciada ontem (24), Dunga deixou em aberto a possibilidade de mandar uma equipe mista ou reserva para enfrentar a Bolívia nos 3600 metros de altitude de La Paz, no dia 11 de outubro.

Uma das possibilidades é a comissão técnica relacionar 18 jogadores para a viagem à capital boliviana e deixar outros seis treinando na Granja Commary, em Teresópolis. O grupo se reuniria novamente apenas após o retorno ao Brasil, para o confronto com a Venezuela, dia 14, em Campo Grande-MS.

"Vamos buscar mais informações quando esses atletas se apresentarem, ver em que condições eles se encontram e decidir o que será melhor para a seleção brasileira. A gente trouxe um número maior de jogadores justamente por isso", disse Dunga.

Essa ideia já foi posta em prática nas eliminatórias para a Copa de 2006. Carlos Alberto Parreira escalou uma formação reserva para empatar com os bolivianos por 1 a 1 em La Paz. Jogadores como Luizão, Gustavo Nery, Renato e Alex, que nem sequer foram ao Mundial, atuaram como titulares naquela ocasião.

Dunga negou que a possibilidade de levar um time "B" a La Paz seja uma retaliação à postura da Bolívia de mandar seus jogos na altitude. Nos últimos anos, a CBF protestou junto à Fifa sobre o que considera um ato prejudicial à saúde dos atletas. "A seleção brasileira está acima de qualquer coisa. A CBF tem uma posição e nunca a escondeu, mas vamos fazer aquilo que melhor convir para a seleção", afirmou.

Grupo quase fechado
Além dos confrontos com Bolívia e Venezuela, o Brasil terá mais três amistosos até a Copa do Mundo - o primeiro deles será contra a Inglaterra, em 14 de novembro, no Qatar. Até pelo tempo escasso para testar novos jogadores, Dunga voltou a afirmar que o grupo que está disputando as eliminatórias deve ser mantido para o torneio na África do Sul.

"Se você joga em todos os jogos da Série B, com campo cheio de barro, esburacado, não vai gostar de ficar de fora quando chegar o Mundial. Aqui é a mesma coisa. Se eles têm tido o rendimento que todo mundo cobra, por que eu vou tirar? Tenho que ser coerente", explicou o treinador.