Ricardo Gomes trilhou carreira de sucesso como zagueiro, sendo titular da seleção na Copa do Mundo de 90. Mano Menezes não teve o mesmo glamour: encerrou a fase como xerifão da zaga aos 27 anos, desiludido com a vida de boleiro no Venâncio Aires/RS. Rivais no clássico deste domingo, no Morumbi, os dois novamente testam forças no setor defensivo, mas em situações distintas.
Enquanto o técnico Ricardo Gomes aperfeiçoou a defesa do São Paulo, um dos lemas de Muricy Ramalho no tricampeonato nacional do clube, o treinador Mano Menezes aguarda Chicão e William, recuperados de lesões, para apagar a fase irregular da zaga, acentuada após goleada sofrida em casa para o Goiás, 4 a 1.

Quando Gomes assumiu o São Paulo, na 8ª rodada, o time possuía a 4ª melhor defesa. Dezessete rodadas depois, o São Paulo ostenta a melhor defesa do Brasileiro: 24 gols sofridos em 25 partidas.

Cortado às vésperas da Copa do Mundo de 94, Ricardo Gomes acredita que os ensinamentos da época de zagueiro não foram repassados à risca ao elenco tricolor. O setor defensivo do São Paulo demonstra segurança devido à competência dos atletas, enaltece o técnico.

"Temos quatro zagueiros de altíssimo nível. O tempo de orientação para a zaga é o mesmo para o restante do time. O fato de eu ter sido zagueiro não acrescenta, mesmo porque eles são bem melhores do que fui", disse.

Mesmo sonhando com a conquista da tríplice coroa, o Corinthians é o único entre os 12 primeiros colocados do Brasileiro que apresenta saldo de gols negativos (34 a 35).

Mano considera inadmissível uma equipe que sonha com o título permitir placares dilatados dos adversários, citando os empates recentes do Corinthians contra o Botafogo (3 a 3) e Barueri (2 a 2), além da goleada do Goiás. Nas últimas seis partidas, o Corinthians sofreu 12 gols.

"O William sabe muito organizar uma defesa. Isso é uma virtude que poucos possuem. Quem tem, tem. Não adianta aprender a fazer. Mas já fizemos outros jogos sem ele e o fomos bem. O jogo contra o Goiás foi um fato à parte", opina o treinador, que poderá preparar Chicão e William para o clássico.

A ausência da dupla William/Chicão, aliás, trouxe prejuízos ao Corinthians. Juntos, Chicão e William disputaram sete partidas neste Brasileiro. Foram sete gols sofridos nestes sete jogos, média de 1 gol sofrido por partida.

Sem a dupla considerada titular, a média de gol sofrido salta para 1,5 por jogo. São 28 gols feitos no Corinthians nestes 18 jogos desfalcados de William e Chicão.