O ex-diretor geral do Senado Agaciel Maia reassumiu nesta quarta-feira suas atividades na Casa Legislativa depois de ficar afastado por 90 dias em meio às denúncias de irregularidades cometidas durante a sua gestão, que durou 14 anos. Agaciel era esperado desde o início da manhã para reassumir as funções, já que o prazo do seu afastamento terminava hoje. O ex-diretor, porém, só apareceu no ILB (Instituto Legislativo Brasileiro) no final do expediente, local onde passará a trabalhar no Senado.

Para justificar a ausência, Agaciel disse que passou o dia realizando consultas na biblioteca da Casa sobre os livros que vai usar na montagem de uma biografia dos 1.304 parlamentares que já passaram pelo Senado. O ex-dietor não desmentiu a informação de que demorou todo o dia para reassumir o cargo. A principal tarefa do ex-diretor, daqui para frente, será compilar os dados dos senadores que já passaram pela Casa.

"Eu vou completar 33 anos de Senado, nunca peguei um atestado médico, não iria faltar ao trabalho depois desse período todinho. Se eu me apresentar de manhã, à tarde, vou fazer um trabalho de pesquisa. Eu vou ficar atuando nessa área acadêmica, de pesquisa. Necessariamente eu não tenho que estar sentado atrás de uma mesa, e tal, o dia todo. Eu vou ficar dentro da biblioteca do Senado, dentro do IBGE, vou fazer essa garimpagem", afirmou.

Em seu retorno à Casa, Agaciel disse ser vítima de uma "perseguição" que resultou em calúnias sobre supostas irregularidades cometidas durante sua gestão. Mas disse estar pronto para retomar suas atividades no Senado, mesmo depois de ser afastado do cargo. "Sempre fui preparado para voltar, como diz a gíria aqui da Casa, à planície."

O ex-diretor afirmou que foi inocentado de todas as acusações, com exceção da publicação de atos secretos na Casa --que estão sendo investigadas por comissão de sindicância. Agaciel disse acreditar que, ao final das investigações, será inocentado das acusações.

"Estou confiante. Quando se faz um extrato dos atos que assinei, todos são de rotina. Nunca fiz indicação de nenhum irmão meu, de nenhum filho, mesmo precisando. Como eu, um diretor, ia colocar alguém no gabinete de um senador se eu não tinha ligação com ele? Não faz nenhum sentido", afirmou.

Sarney

O ex-diretor disse que nunca recebeu "ordens ilegais" e negou que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de quem é amigo pessoal, tenha lhe pedido para nomear parentes na instituição. Agaciel também negou que o filho de Sarney, o empresário Fernando Sarney, tenha lhe feito qualquer pedido para empregar familiares no Senado.

Agaciel reconheceu, no entanto, que nunca questionou nomeações solicitadas pelos senadores que chegavam à diretoria-geral. "Eu nunca perguntei ao senador se o servidor era parente dele, ou não, porque na época era possível nomear parentes. Eu não lembro do presidente [Sarney] ter falado comigo", afirmou.

Na posição de vítima, Agaciel disse que não cometeu nenhum crime enquanto ocupou o cargo. "Qual foi o pecado do Agaciel? Nomeou filho, nomeou irmão? Precisava, eu até precisava, mas não quis."

O ex-diretor disse acreditar que a "perseguição" contra ele tenha começado após o episódio que resultou no afastamento do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência da Senado. "A partir do caso Renan, passou a haver um desgaste." Amigo de Renan, Agaciel disse considerar o líder do PMDB "um grande articulador" dentro do Senado.

Agaciel disse que esperava, no seu retorno, ser "esquecido" pela imprensa --mas convocou entrevista para mostrar que retomou os trabalhos. "Eu torço pelo Senado, eu pertenço a isso aqui."

Questionado se pretende se filiar a um partido político para disputar as eleições de 2010, o ex-diretor desconversou, mas não desmentiu. "Não vou falar sobre isso, é coisa do futuro."