Passado um ano da explosão que matou quatro trabalhadores na Estação de Furado- unidade da Petrobras em São Miguel dos Campos- o inquérito sobre o casa está longe de ser concluído e pior: não se sabe sequer onde está o documento. A reportagem da Tribuna Independente foi até São Miguel dos Campos para saber detalhes da investigação policial; na Promotoria , o responsável pelo caso, Magno Alexandre, explicou que em fevereiro deste ano devolveu o inquérito à delegacia da cidade por haver falhas nos depoimentos.
Na delegacia, o delegado Josias Luis de Lima se mostrou surpreso ao saber que o documento, de acordo com o promotor, teria sido devolvido à unidade. E em meio às contradições. Se perde as esperanças que as famílias das vítimas vinham mantendo, até pouco tempo, de não se tornarem personagens de mais uma história de impunidade.
Na próxima quarta-feira, as famílias de Adeildo dos Santos, 33, Miguel Ângelo Pereira Moisés, 27, Carlos Eduardo Cabral das Chagas. 26 anos, Adriano dos Santos,22 deverão estar celebrando a missa de um ano de morte dos seus ente queridos e além da perda será mais um momento para lamentarem o fato de ninguém ter sido responsabilizado penalmente até então. “Não há previsão para concluir o inquérito; no inicio do ano tive que devolver o processo, porque haviam falhas que poderiam comprometer qualquer julgamento”, essa foi a explicação do promotor responsável pelo caso, Magno Alexandre, que apontou a necessidade de algumas testemunhas do acidente serem ouvidas novamente, já que muitos pontos naquele depoimento não ficaram claros.
“A nova diligência é para que não haja erros, cheguei até sugerir uma reprodução simulada do acidente, mas não sei há possibilidade ainda não obteve retorno do delegado”, reiterou o juiz.
O que o promotor pôde passar das investigações é que há fortes indícios de que parte do descumprimento das normas partiu dos próprios trabalhadores, que morreram no acidente. “O que não exime a empresa, sabemos que as regras de segurança devem ser exigidas”, disse Magno Alexandre, fazendo referências ao laudo dos peritos que concluiu, dois meses após o acidente, ter havido falha humana e responsabilidade da Petrobras.
“Mas o trabalho da justiça não pode se restringir ao que foi apontado pelos próprios peritos, porque eles (peritos) apontam as falhas e nós temos que apontar quem vai responder por elas, e sem um trabalho minucioso não há como se chegar a isso”, explicou.
Controvérsias
Josias Luis de Lima foi enfático: “O inquérito foi remetido à justiça no dia 28 de outubro do ano passado e não retornou; pelo menos aqui mesmo não chegou”. De acordo com o delegado, caso o juiz tivesse devolvido o inquérito, só poderia ter sido para ele e naquela delegacia, o que não aconteceu.
Enquanto falava com a reportagem o delegado procurou a informação nos livros de protocolo da delegacia e reafirmou que o inquérito instaurado há quase um ano (em 24 de setembro de 2008)se não estava na justiça, também não estava lá. “Ele (o juiz) pode até ter devolvido o inquérito, mas aqui não chegou”.
Quanto ao pedido de reprodução simulada que o promotor Magno Alexandre teria feito ao pedir novas diligências, o delegado Josias Lima considerou desnecessárias. “Não investigações veio até perito de fora; Corpo de Bombeiros também auxiliou nos levantamentos. Para nós aqui da delegacia está tudo claro”, rebateu o delegado.
Uma vez retornado o inquérito à delegacia para novas diligências, o prazo para que seja devolvido à justiça é de 30 dias, podendo ser prorrogado a pedido. No caso do inquérito do acidente da Estação de Furado, segundo o promotor, a devolução foi feita em fevereiro e passados sete meses não se sabia ainda se o delegado havia pedido prorrogação do prazo.

