As declarações do governo confirmando o favoritismo da França nas negociações para a compra de aviões caças não intimidaram os outros dois concorrentes Estados Unidos e Suécia. Faltando quatro dias para a entrega final da proposta, representantes dos dois países intensificaram as negociações com o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito.

Depois do vice-ministro de Defesa da Suécia, Hakan Jevrell, Saito recebeu a encarregada de Negócios da Embaixada dos EUA, Lisa Kubisk. Os dois seriam recebidos pelo ministro Nelson Jobim (Defesa), que cancelou a agenda por problemas de saúde.

No encontro, Lisa reforçou a nota divulgada na semana passada pela embaixada de que o governo americano aprova a transferência de tecnologia do caça F/A-18 Super Hornet ao Brasil, assim como a montagem dos aviões no país --critérios apontados como preferências para a compra.

A conversa ocorreu um dia depois de Jobim afirmar aos senadores da Comissão de Relações Exteriores que a preferência do governo é pela França e que Estados Unidos perderam espaço na disputa por ter uma instabilidade e não ter uma "tradição favorável" à transferência de tecnologia.

O ministro disse que essas dificuldades já tinham sido identificadas em outro momento quando o governo negociava a compra de submarinos. "O grande problema da Boeing era a dificuldade de transferência de tecnologia. No dia 7 de setembro houve a presença do Sarkozy [Nicolas Sarkozy, presidente da França] em que se demonstrou opção política."

Nesta quinta-feira, o governo brasileiro também recebeu o compromisso do vice-ministro de Defesa da Suécia de que seu país estaria disposto a vender o dobro de aviões pelo preço de um, oferecido pelos concorrentes.

As conversas com Saito acirram a disputa e dificultam a escolha do governo às vésperas da entrega da proposta. Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o processo de escolha vai demorar e que depende das propostas serem oficializadas.

Obama

porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, negou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha conversado por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sobre a compra de caças.

O suposto telefonema foi noticiado pela imprensa internacional. "É uma especulação que não corresponde à realidade. Os concorrentes já apresentaram suas posições. O processo corre pelos trâmites normais", afirmou o porta-voz, acrescentando que os norte-americanos têm usado os canais normais para tratar das negociações.