Por Goretti Brandão
Homero Cavalcante é uma daquelas pessoas que são dotadas de um intrigante dom para cativar a gente. É culto, inteligente, amável e muito simples. De baixa estatura, olhar penetrante, barba bem feita, e um anel de ônix no dedo anelar da mão direita, que pontua com suavidade a sua conversa envolvente, a cada vez que ele gesticula. Professor, escritor, poeta, dramaturgo, ator e diretor de teatro, Homero é um discípulo fiel de Dioniso, o deus grego do teatro, além de ser parte da história viva das artes cênicas em Alagoas.
Na biblioteca do antigo prédio onde funciona o Museu Théo Brandão, sob a luz natural da pequena sala com piso de madeira, vejo-me diante do ator. Filho legítimo de Alagoas, nascido em Maceió, é a própria personificação do palco, da cena e do teatro. Conversamos animadamente sobre o fazer teatro, e entre uma conversa e outra Homero vai falando como se faz a vida. Seu discurso é lúdico, dialético, original e cheio de criatividade. Figura múltipla, ele nos surpreende sendo capaz de trazer para o palco da existência, todas as personagens da própria alma.
Assim é Homero Cavalcante, artífice das letras, criador dos diálogos e das personagens, das luzes do palco, da abertura das cortinas. É ele mesmo, o veículo e o espetáculo, o palco e a cena que ali se desenrola e que nunca termina. Em qualquer atuação, às vezes, inserido alternadamente, no universo da criação artística, da obrigação diária, da labuta, ou no reino da palavra, o talento e a sensibilidade desse homem perpassa a leitura comum da vida, e o torna o personagem central no cenário das artes dramáticas de Alagoas.
Sua capacidade criativa é inesgotável. Entre outras obras é seu o clássico Quando se deu o Eclipse (1980), da dramaturgia infantil. Suas peças mais recentes são Eira, Beira e Ramo de Figueira ou Dona Moça Solteira (2006) e Calabar: Sonho e Liberdade (2008). Mas Homero não pára por aí. A sua odisséia prossegue.