Eu tirei o peso de uma tonelada de minhas costas, foi assim que o delegado e agora ex-superintendente da PF José Pinto de Luna respondeu a pergunta da reportagem do Cadaminuto sobre como estava se sentindo 24 horas após a saída do cargo principal da Polícia Federal de Alagoas.

Ele explicou ainda que pensou em ter algum sentimento de perda mas acredita que o tempo de dois meses que passou entre a decisão pessoal de sair e a escolha de um novo superintendente preparou seu coração para a saída do cargo.

“A única sensação que ficou para mim é que falta muito para ser feito e que embora eu tenha tentado dar o meu melhor a demanda que a Polícia Federal de Alagoas tem é enorme” explicou o delegado.

Luna lembrou do dia de sua posse e explicou que já veio pronto para a Operação Taturana, deflagrada dois dias depois, e no dia que foi empossado viu na platéia vários protagonistas desta operação,inclusive o então presidente da ALE, Antonio Albuquerque.

Ele falou pela primeira vez do documento que foi enviado para Brasília com a síntese de entrevistas suas onde ele supostamente atacava os envolvidos nas operações e admitiu que até um colega da PF ajudou na confecção do chamado “dossiê”

“ Não é daminha natureza ter ódio sobre qualquer coisa que aconteça durante minha atividade como delegado, até uma das pessoas que fez esta denúncia me procurou para se desculpar e eu disse que isto fazia parte do processo,o importante é em nenhum momento fui pressionado para pegar “leve” e continuaria no cargo até o final de 2010 se não tivesse decidido traçar um outro caminho” explicou ele.

Política

Sobre a escolha do caminho político Luna foi claro ao dizer que não se sente constrangido em escolher o PT para tentar uma candidatura.

“Eu sei sobre a situação do Paulão, e não concordo com alguns posicionamentos do partido como a defesa da CPMF,por exemplo, mas o partido é o único que dá espaço ao contraditório e as diferentes correntes de opinião dentro de uma discussão saudável” disse ele.

Ele falou claramente sobre a situação do agora seu companheiro Paulão e não se furtou a dizer que não muda uma letra sobre o que disse sobre o deputado estadual e um doslíderes de seu partido no Estado.

“A situação do Paulão e mesmo do prefeito Cícero Almeida não pode ser confundida com a de outros parlamentares que são ligados a pistolagem e outros crimes, eles na minha opinião cometeram sim um delito, tanto que sofreram indiciamento,mas serão julgados e eu espero que paguem por qualquer erro que tenham cometido mas daí a colocar eles no mesmo calderão onde estão os demais...” explicou ele dizendo que não vê problemas em subir no palanque dos dois.

Luna explicou ainda que muitos dos que apoiaram sua candidatura se assustaram quando ele falou de sua pretensão em sair para o Senado, principalmente por conta da possível disputa com Renan Calheiros

“Você imaginar que um delegado da PF pode ameaçar o mandato do senador Renan Calheiros realmente incomoda, mas ele está acostumado a ganhar as eleições na convenção, então desta vez deixa o povo escolher, não tenho problemas com isto” explicou ele

Luna falou ainda da admiração que tem pela ex-senadora Heloísa Helena e explicou que só não pode declarar seu voto nela por conta do problema de infidelidade partidária, mas acredita que ela ganhará uma das vagas para o Senado.

“Eu só quero ter a oportunidade de concorrer, acredito que muita coisa será feita para impedir minha candidatura, mas estou preparado para isto, à única coisa que tenho é meu trabalho como funcionário público desempenhado por 24 anos sem nenhuma punição ou sindicância mesmo tendo que enfrentar que eu enfrentei” explicou ele.

Alagoas

O delegado explicou que se apaixonou completamente por Alagoas, diz que o Estado não é só belíssimo como tem um potencial enorme, é barato e tem uma qualidade de vida superior aos outros Estados brasileiros.

“Moro em um apartamento de três quartos, em um prédio que fica a duas quadras da praia e com duas vagas na garagem,pago por tudo isto R$ 850,00 de aluguel, só aqui posso ter esta qualidade de vida, sei que infelizmente esta situação não pode ser compartilhada pela grande maioria da população alagoana e é por isto que pretendo lutar” finalizou ele