O ministro Tarso Genro (Justiça) negou nesta terça-feira que tenha partido da Polícia Federal o vazamento de informações sobre a operação na qual haveria busca e apreensão de documentos e equipamentos na residência de executivos e nos escritórios de algumas das principais empreiteiras do país, entre as quais OAS, Camargo Corrêa, Odebrecht, Nielsen, Queiroz Galvão e Gautama.
Segundo Tarso, a divulgação de informações não trouxe prejuízos à operação. "O que tenho a informar é que não teve nenhum vazamento da Polícia Federal. O processo está na Justiça que está sendo examinado para deferir ou não diligências ou custódias que a Polícia pediu. [Essa operação] É um trabalho que vem sendo feito a muito tempo e não vazou uma linha. Os advogados tiveram acesso ao processo. Não tenho condições de dizer de onde vazou e qual foi a intenção. A Polícia Federal não foi porque recebi a informação imediata", disse.
O ministrou voltou a responsabilizar indiretamente os advogados pelo vazamento, uma vez que por uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) eles podem ter acesso a inquéritos policiais contra seus clientes, mesmo que estejam sob sigilo.
"A visão que o Supremo explicitou de que o advogado pode ter acesso ao inquérito a qualquer momento é uma visão respeitável, mas já está provado pelo que decorre disso é o apagamento do sigilo absoluto e é natural que isso [vazamento] ocorra porque às vezes eu quero que os fatos a meu respeito sejam divulgados para que não se confundam com boatos que andam", afirmou.
Segundo reportagem da Folha publicada hoje, a Polícia Federal abriu inquérito na segunda-feira para investigar o vazamento de informações nessa operação que investiga empreiteiras. No último sábado, a Folha informou que a PF preparava a operação, que investiga desvios de recursos públicos superiores a R$ 500 milhões em obras de aeroportos contratadas durante a gestão do ex-presidente da estatal Infraero Carlos Wilson, morto em abril deste ano.
Serão ouvidos em depoimento, além dos jornalistas que publicaram a informação, servidores da Justiça, do Ministério Público e da PF que atuaram no caso. Na semana passada, PF, Ministério Público Federal e Justiça souberam que informações sobre a operação, que deveria ser sigilosa, vazaram para alguns investigados.