Berço do proclamador da República e dos dois primeiros presidentes, Alagoas completa 192 anos com uma década perdida na avaliação do economista e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Cícero Péricles.

Péricles aponta a década de 90 como perdida para Alagoas, do ponto de vista econômico; nesse período o Banco do Estado fechou definitivamente, várias usinas de açúcar faliram, o limite para expansão da cana-de-açúcar esgotou, a Bacia Leiteira entrou em declínio e deu-se o desmonte do Estado com a extinção de órgãos como a Emater, Epeal, Codeal e Cohab.

HISTÓRICO

O Estado de Alagoas surgiu através de decreto do corte portuguesa, datado de 1817, que desmembrou uma área de 27 mil quilômetros quadrados ao Sul da Capitania de Pernambuco em represália à agitação pernambucana contra a Monarquia.

Coube ao ouvidor (hoje equivalente ao cargo de corregedor) Antônio Ferreira Batalha encaminhar o processo. O ouvidor Batalha, depois de organizar a reação contra a revolta republicana que eclodiu em Pernambuco em 1817, declarou a faixa de terra sob sua jurisdição separada de Pernambuco e subordinou-a a Bahia.

A faixa de terra que compreende o Estado de Alagoas começa no Rio Persinunga, no limite dos municípios de Maragogi e São José da Coroa Grande-PE, no Litoral Norte, até o Pontal do Peba, na divisa com Sergipe – que é marcada pelo Rio São Francisco. Para o Oeste, a divisa vai até Inajá-PE.

O primeiro governador foi Francisco de Mello e Povoas, que só assumiu o cargo um ano depois de ter sido nomeado.

ECONOMIA

O algodão, o coco e depois a cana-de-açúcar foram os produtos que sustentaram inicialmente a economia estadual. A partir da década de 30 surgiram as lavouras de fumo no Agreste e, entre a década de 40 até meados da década de 60, prosperou a indústrias têxtil.

Mas, foi a cana-de-açúcar que solidificou a economia estadual. O economista Cícero Péricles destaca o papel da oligarquia canavieira e vê hoje, o setor enfrentando dificuldades devido ao surgimento de novas fronteiras agrícolas e ao esgotamento da capacidade local.

Hoje, muitos dos usineiros alagoanos estão investindo em Minas Gerais, no Mato Grosso, em Goiás, e isto não é só pela oportunidade de terra, mas pela proximidade com os grandes centros consumidores – adiantou Pérticles.

A década perdida de 1990 deveu-se, na avaliação do economista, à estrutura econômica altamente dependente das transferências da União. Mesmo reconhecendo o papel da economia sucro-alcooleira, Péricles cita o modelo escravocrata como entrave ao desenvolvimento do Estado. Além disso, a opção de desenvolvimento industrial com base nos produtos clorados não vingou; o Estado é hoje mero fornecedor para o Pólo Cloroquímico de Camaçari.

Se na economia não há o que se comemorar, resta o lado cívico da data. Logo mais à tarde, a partir das 15 horas, haverá o desfile escolar comemorativo à Emancipação Política. Será em Jaraguá.