Por Goretti Brandão
Dia 16 de setembro, a Avenida da Paz, em Maceió, é o palco onde acontecem as manifestações cívicas em comemoração à Emancipação Política de Alagoas. É o momento onde o orgulho alagoano de ser, faz festa no coração da maioria das pessoas que vão assistir as apresentações. A emoção se torna o mago que, com a sua varinha na mão, as conduzem ao espetáculo das representações.
Não fosse o espírito lúdico dessa platéia, a Avenida da Paz, certamente, se resumiria a receber a presença de pouquíssimas pessoas. E, ironicamente, não fosse a falta desse mesmo espírito lúdico, menos voltado para as manifestações nascidas da autêntica alegria popular, a passarela - que faz a bela esteira da vista para o mar -, resultaria no desfilar da mais completa alagoanidade.Desfilaríamos então, os alagoanos que somos. A nossa descendência de povos resistentes. Seríamos o bravo espírito dos povos Caetés, os quais, Lêdo Ivo no seu livro Alagoas, nos diz terem sido os povos que mais odiaram os colonizadores?
Os primeiros habitantes das Terras dos Marechais, aposto, não seriam afetados pelo emotivo-estimulado orgulho, que por certo, contaminará a platéia na hora do desfile cívico. Entre várias razões, esta deveria ser uma: não entenderiam o que de fato estamos festejando nesses 192 anos de emancipação. No dia de hoje, o que faria desfilar os Caetés? Talvez um pelotão de vencidos portugueses. Talvez ainda, se assim tivesse acontecido, as armas dos derrotados, como trunfos de vitória sobre os usurpadores. Um verdadeiro espetáculo comemorativo!.
Certamente os nossos antepassados indígenas fariam valer o nosso hino. E hoje, através da nossa voz alagoana, entoariam com força: "Que Alagoas não procria escravos: Vence ou morre!... Mas sempre de pé!". Ressoaríamos, passado e presente, juntos, o grito uníssono do nosso orgulho alagoano de ser: "Salve, ó terra futurosa! Glória a terra de Alagoas!"