O segundo disco é normalmente a prova de fogo para uma banda que faz um trabalho promissor em seu primeiro álbum.
Cientes disso, Ronei Jorge e seus companheiros de banda acertaram ao escolher Pedro Sá para a produção de "Frascos, Comprimidos, Compressas".
Sá é mais um fruto da rica safra pop carioca (ou radicados por lá), que tem na sua lista de músicos a turma do projeto + 2 (Kassim, Moreno Veloso e Domenico), Lucas Santtana, os Los Hermanos Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo, entre outros.
Não foi à toa que Caetano Veloso, um mutante por natureza, foi buscar nessa turma a fonte para reciclar o seu som.
Nova MPB
O que eles têm em comum? Apurado senso de uma geração que não nega o legado da MPB, mas sem transformá-lo em algo sagrado, sabendo que a forma ideal de dar segmento é apostar no novo, sem deixar de lado o melhor do passado.
A banda baiana sabe que o melhor da atual música nacional vem dessa turma e apostou nesse intercâmbio para dar acabamento às boas composições de Ronei Jorge.
Claro que Ronei e Os Ladrões têm suas cartas na manga para não parecer que chegaram como intrusos na festa alheia.
Pegando alguns ares da turma mineira do Clube da Esquina e aflorando sem medo nas letras a sua baianidade urbana, o grupo compilou 14 canções que conseguem manter um bom nível nos 52 minutos do álbum.
Um bom cartão-de-visitas para deixarem de ser um grupo de respeitabilidade local e atingirem um público maior fora do Estado natal. O que agora depende de muitos shows para exigirem seu posto entre os que estão na linha de frente da nova MPB.