A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) divulgou nota nesta quarta-feira para justificar a sua participação em um curso voltado para a capacitação de executivos realizado no México, na Argentina e na Espanha, entre 2007 e 2008, que custou pelo menos R$ 70 mil aos cofres do Senado. Na nota, Ideli afirma que o curso "The Art of Business Coaching" foi importante para melhorar o desempenho de sua equipe de trabalho.

Ideli minimiza, na nota, o fato do curso ter sido promovido pela empresa Newfield Consulting, cujo fundador no Brasil é Luiz Sérgio Gomes da Silva, ex-funcionário do Palácio do Planalto e ex-assessor da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e filiado ao PT.

"O curso 'The Art of Business Coaching' tem participação suprapartidária. Um exemplo foi o treinamento recebido por diretores e gerentes do Conselho de Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) durante a gestão do então presidente Fernando Henrique Cardoso", diz a nota.

Segundo Ideli, a Diretoria de Controle Interno do Senado auditou e aprovou os gastos executados pela parlamentar em consequência da viagem. O convite para o curso, de acordo com a nota, também foi aceito com base no regimento interno da Casa.

A senadora também afirma que o assessor Paulo André Argenta, que lhe acompanhou no curso, viajou de forma "legal", autorizado pela presidência do Senado --assim como a própria parlamentar. "Paulo André exerce uma função de coordenação dentro do mandato da senadora e, através dos conhecimentos adquiridos no curso, é um disseminador das informações apreendidas entre os seus colegas", afirma a nota.

Segundo Ideli, o curso prepara líderes para "fazer a gestão de pessoas tanto em empresas públicas quanto em empresas privadas". Entre os participantes do curso, de acordo com a senadora, estão profissionais que trabalham em organizações sociais, órgãos públicos e empresas privadas da Argentina, Espanha, Chile, Colômbia, Equador, México, Venezuela. "Razão pela qual as etapas de conhecimento foram ministradas em diferentes países", justificou.

A nota afirma ainda que Ideli não participou de uma das etapas do curso em Buenos Aires, na Argentina, mas ressarciu os cofres da Casa pela sua ausência. "Na etapa que correspondeu a cidade de Buenos Aires, por problemas de saúde, a senadora Ideli teve que retornar ao Brasil antes do fim do conteúdo ministrado. Sua atitude imediata foi pedir a devolução aos cofres públicos da quantia despendida com esta viagem", afirma a nota.

Os assessores da senadora também dizem, na nota, que "os valores despendidos com sua capacitação e de seu funcionário são compatíveis aos valores de cursos ministrados por outras empresas com atuação semelhante no mercado".

Gastos

Reportagem publicada pela Folha nesta quarta-feira informa que o Senado gastou pelo menos R$ 70 mil para a senadora e um assessor participarem do curso. Na reportagem, Luiz Sérgio afirma que o curso é mais voltado para executivos de empresas privadas, com técnicas e estratégias para capacitá-los a liderar equipes.

"O principal cliente nosso é o gerente da grande empresa privada, em nível nacional e internacional. São os grandes executivos", disse. Os dados das viagens constam na Tomada de Contas do Senado de 2008 enviada ao TCU (Tribunal de Contas da União).

Para os dois participarem do curso, o Senado desembolsou R$ 35.530 com as inscrições. Com diárias, a senadora gastou R$ 11.837,40 nas cidades onde o curso ocorreu: Cidade do México, Buenos Aires e Sevilha.

Segundo a reportagem, além de participar das três etapas do curso com Ideli, o assessor Argenta fez mais três viagens sozinho para Buenos Aires, São Paulo e Florianópolis, entre julho e novembro de 2007. Recebeu R$ 15.208 para pagamento de diárias.