O governo federal lançou nesta terça-feira projeto para aumentar o controle sobre o ingresso de estrangeiros no Brasil, com o objetivo de mudar a imagem de que o país é um refúgio para criminosos --especialmente no que diz respeito a crimes sexuais e tráfico de drogas.
Com o nome de "Fim da Linha", o projeto vai permitir a conexão dos portos, aeroportos e fronteiras com o sistema de informações da Interpol (polícia internacional) para agilizar a detenção de criminosos internacionais.
Ao lançar o projeto, o ministro Tarso Genro (Justiça) disse que o governo quer reverter a imagem veiculada no passado de que o Brasil é um país de "braços abertos" para ações criminosas.
"Nós tivemos momentos de abusos por parte de autoridades brasileiras que faziam propaganda do turismo do nosso país com alusões indiretas a se usufruir daqui, por exemplo, a prostituição. O projeto "Fim da Linha" vai dificultar enormemente todas aquelas pessoas que procuram o nosso país de má-fé, seja para tráfico de pessoas, para usufruir da prostituição, para abusar sexualmente das nossas crianças", disse Tarso.
Além de interligar a rede de comunicações da Polícia Federal com a Interpol, o projeto prevê a criação de uma "lista vermelha" de criminosos sexuais e o acesso da PF a informações internacionais sobre pornografia infantil e o mapeamento de organizações criminosas que atuam no país.
"Na medida em que é possível se obter dados instantâneos, isso deve estar à disposição da segurança no país. A soberania deve estar a serviço de todos, mas não de forma excludente", disse o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Correa.
O delegado Jorge Pontes, chefe da Interpol no Brasil, disse que em seis meses a Polícia Federal terá acesso pleno ao banco de dados da polícia internacional em tempo real. "Hoje é fundamental a comunicação rápida entre os países da Interpol. Quando um Portinari é furtado, por exemplo, em quatro horas a imagem pode estar sendo veiculada para os 187 países atendidos pela Interpol", afirmou Pontes.
A Polícia Federal vai colar cartazes, produzidos pelo cartunista Ziraldo, para divulgar o projeto nos aeroportos, portos e postos de fronteira brasileiros. Pontes disse que, entre as medidas do "Fim da Linha", está a interdição de fugitivos e potenciais criminosos sexuais que entram no território nacional.