Sem esconder o constrangimento com a pressão do Palácio do Planalto para ser candidato ao governo de São Paulo, o deputado e ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE) quer virar o jogo. Ele se diz um candidato potencialmente mais viável do que a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. E afirma que, apesar do esforço do presidente Lula, a transferência de votos para a ministra é complexa.
"O que alguns petistas temem é fato: eu, hoje, tenho muito mais chance de passar a Dilma do que ela de manter a dianteira na minha frente". Ciro faz duras críticas ao que classifica de hegemonia na aliança PT-PMDB. Para Ciro, Dilma não aguenta uma campanha colada no PMDB. "Ninguém aguenta".
Como avalia a disputa de 2010?
CIRO GOMES: Vejo uma disputa em que a ministra Dilma Rousseff será candidata pelo PT, em coligação com o PMDB; o PSB com minha candidatura; o PV apresenta a de Marina Silva; e tenho dúvidas sobre o PSDB, mas acho muito provável que o candidato seja Aécio Neves. Será bastante difícil, com amplo favoritismo para Aécio.
E o cenário com o governador José Serra candidato?
CIRO: A probabilidade é uma convergência da Dilma comigo no segundo turno. Com isso, venceremos a eleição.
No Planalto há a preocupação de que sua candidatura prejudique a da ministra...
CIRO: Com todo o esforço do presidente e todas as qualidades da ministra, a transferência de influência eleitoral não tem reproduzido nas pesquisas a força extraordinária e merecida do presidente. O que alguns petistas temem é fato: eu, hoje, tenho muito mais chance de passar Dilma do que ela de manter a dianteira na minha frente.