Milhares de pessoas voltaram às ruas de Caracas neste sábado em dois protestos realizados em áreas da cidade para expressar seu apoio e repúdio, respectivamente, à "revolução" bolivariana instalada na Venezuela há uma década pelo presidente Hugo Chávez, em mais um sinal da divisão entre setores da sociedade em relação à políticas socialistas do atual governo.
A manifestação opositora, "pela liberdade e pela democracia", começou no setor de Chacaíto e terminou no centro, em frente à sede da Procuradoria Geral, em um percurso sem incidentes.
Ao chegar à Procuradoria, membros da Mesa de Unidade Democrática, integrada por 11 partidos opositores, entregaram um documento a um segurança do edifício, já que não havia ninguém trabalhando, por ser fim de semana, em rejeição à suposta política de perseguição à dissidência por parte do governo de Chávez, segundo os manifestantes.
Por sua parte e sob o lema "Venezuela: zona de paz", milhares de seguidores de Chávez, vestidos de vermelho, a cor da "revolução", percorreram boa parte do oeste de Caracas e terminaram o protesto em frente à sede da Chancelaria, no centro da cidade.
"Esta é uma marcha para os que lutam pela paz, esta é a marcha pela alegria [...] dos que lutam para serem donos de seu próprio destino", disse Jorge Rodríguez, prefeito do município Libertador, na Grande Caracas, e único da região que apoia o presidente.
Chávez permanece popular entre os pobres e os trabalhadores, após elevar os padrões de vida deles durante o boom dos preços de petróleo nos últimos anos. Mas outros venezuelanos são ferozmente contra o líder esquerdista, que nacionalizou boa parte da economia e, este ano, apertou o cerco contra os políticos da oposição e a imprensa.
Muitos também estão irritados com uma nova lei de educação que aumenta o controle do governo sobre as escolas e universidades. As crianças venezuelanas voltam à escola na próxima semana, após as férias de verão.
Houve uma série de marchas neste ano, e manifestantes antigoverno muitas vezes entram em confronto com a polícia. Mas a tensão não é tão alto como em 2002, quando enormes protestos terminaram em várias mortes e em um breve golpe de Estado que derrubou Chávez.
O presidente venceu um referendo este ano que lhe permitirá concorrer a um número ilimitado de reeleições. Alguns de seus adversários querem removê-lo pela força.
"Temos de nos livrar desse homem comunista, mesmo que seja por um caminho ruim", gritou a manifestante Sonia, uma suíça que mora na Venezuela. "Estamos começando uma revolução popular".
Enquanto isso, milhares de simpatizantes de Chávez, muitos vestidos com a cor vermelha de seu Partido Socialista e dançando salsa, marcharam em Caracas e outras cidades para responder ao protesto da oposição.
Eles também protestam contra um plano uso de bases militares colombianas por tropas dos EUA, que sofre dura oposição de Chávez.
"Estamos aqui hoje para apoiar o nosso presidente e rejeitar a marcha da oposição", disse o funcionário do Congresso Nelson Guanchez, 27, em uma marcha de Caracas, acompanhado da namorada e seu cachorro, os três com camisetas vermelhas com o slogan "Eu amo Chávez".
Nesta sexta-feira, manifestantes em mais de dez países atenderam a uma convocação feita por um grupo de jovens colombianos e foram às ruas para se manifestar contra as políticas de Chávez, principalmente políticas consideradas antidemocráticas pelos manifestantes e sua tentativa de exportar a "revolução bolivariana".
Os maiores protestos aconteceram em Bogotá e em Caracas, cidade onde também houve uma manifestação chavista. A maior parte dos protestos reuniu menos de 200 pessoas, em cidades como Nova York, Hamburgo e Madri.