Em torno da mobilização causada pela morte de Gilvan Cleucio de Assis, autor do homicídio contra a pediatra Rita de Cássia Tavares Martinez, a Secretaria de Pública (SSP) a princípio confirmou o suicídio em coletiva na manhã deste sábado. Por outro lado, parte da família de Gilvan acredita que ele foi morto por conta da repercussão do crime ocorrido há um mês.
Após a reconstituição do assassinato, que durou toda a manhã de sexta-feira, Gilvan teria chegado à cela por volta do meio-dia, recusou o almoço, fez uma pregação com trechos da Bíblia e passou o resto do dia lendo o livro. Em depoimento, o companheiro de cela de Gilvan, José Cardoso dos Santos, acusado de envolvimento na morte do ex-deputado Maurício Cotrim, contou que o acusado pelo assassinato da médica também não jantou.
Em outro trecho do relato, José Cardoso revela que Gilvan teria avisado, na noite de sexta-feira, que iria dormir no mesmo beliche que ele, na cama superior. Desde o dia em que chegou à Delegacia de Homicídios, no Complexo dos Barris, Gilvan só tinha dormido no outro beliche que existe na cela, ao lado do ocupado por Cardoso.
Por volta das 20 horas da sexta-feira, José Cardoso foi dormir e quase duas horas depois os presos Danilo Teles dos Santos e Paulo César da Silva Dias o acordaram perguntando por Gilvan. Os dois passavam pelo corredor comum e estavam se dirigindo para suas celas. Todos os presos são recolhidos às 22 horas.
Foi naquele momento, segundo o depoimento de José Cardoso relatado pelo delegado-geral da Polícia Civil, Joselito Bispo, que se percebeu que Gilvan Cleucio de Assis estava pendurado, com uma ponta de um lençol envolto no pescoço e a outra presa e um pedaço de cabo de vassoura colocado entre os espaços da estrutura de ventilação, acima do vaso sanitário.
Joselito Bispo afirmou que a conclusão do laudo deve ficar pronta entre 30 a 40 dias. A necrópsia já constatou que não havia marcas de agressões no corpo de Gilvan. Segundo o delegado-geral, será aberto um inquérito policial e um procedimento administrativo para apurar o caso.
Parentes - A notícia chegou aos parentes de Gilvan por uma tia que reside no Rio de Janeiro, por volta das 2h30 de sábado. Ao saber sobre a morte pela imprensa, ela ligou para saber como a irmã estava. “Ligamos para a delegacia e disseram que o corpo já estava no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IML). Não concordamos com o que ele fez, nossa mãe está sob efeito de medicamento e sentimos pela mãe da médica, mas ele tinha que pagar na prisão”, disse uma das irmãs, que não quis se identificar.
Já a outra irmã foi enfática: ”Não acredito que ele tenha se matado. Ele estava triste, tinha consciência da loucura que fez, mas disse que ia aguardar a posição da justiça e pediu que a gente não abandonasse ele”, contou, também pedindo anonimato.
O último contato de Gilvan com os irmãos foi na tarde da quarta-feira, dia 2. Na conversa, que durou cerca de 10 minutos e foi vigiada por agentes da DH, os irmãos não desconfiaram que Gilvan tinha intenção de cometer suicídio.
Fábio André Montenegro, perito criminal do Instituto de Criminalista Afrânio Peixoto (Icap), explica que, para se confirmar o suicídio, deve-se avaliar um conjunto de elementos. Entre outros aspectos, é perceptível a lesão provocada pela corda. Para descartar a possibilidade de homicídio, é necessário avaliar sinais de violência.
A morte por asfixia é provocada pela falta de oxigênio no cérebro. O corpo de Gilvan Assis foi liberado pelo IML sábado à tarde.