A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), anunciou nesta quarta-feira a troca de quatro secretários. O objetivo da reforma é se fortalecer para disputar a reeleição em 2010 e para enfrentar a CPI que apura corrupção no governo. Em 32 meses de governo, a tucana já alterou a composição do primeiro escalão 29 vezes.
Ontem foi anunciado o nome do novo chefe da Casa Civil, Otomar Vivian (PP), principal articulador político do governo, no lugar do tucano José Alberto Wenzel. Também foram substituídos os titulares das secretarias da Educação, de Governo e de Relações Institucionais.
A instabilidade no secretariado é fruto da crise política enfrentada por Yeda, o que já levou o PSDB nacional a sugerir que ela desistisse da disputa da reeleição para assegurar um palanque forte no Rio Grande do Sul para os tucanos na disputa presidencial em 2010.
Conforme publicou a Folha na semana passada, Yeda disse à cúpula tucana e a seu colega José Serra (SP) que a crise estará superada até a eleição e que não pretende abrir mão de concorrer a reeleição.
No anúncio de ontem, a governadora vinculou as mudanças ao processo eleitoral. "Em 2010 teremos, aí sim, sob as regras da lei, um grande debate com todos os gaúchos sobre a importância histórica de reafirmar esse projeto. Até lá os resultados do nosso modo de governar devem ser cada vez mais percebidos", disse ela.
A tucana, que já acusou o ministro e pré-candidato petista Tarso Genro (Justiça) de estar por trás das denúncias de corrupção que desgastam seu governo, também criticou, sem citar nomes, a oposição.
"Quanto mais os gaúchos tomarem conhecimento e participarem das mudanças, mais distante o RS ficará de qualquer ameaça de retrocesso."
Aliança
A mudança no comando da Casa Civil faz parte da estratégia de Yeda para tentar atrair o PP para aliança em 2010. O partido de Vivian, um ex-deputado estadual, administra 147 (das 496) prefeituras do Rio Grande do Sul e elegeu 1.147 vereadores no Estado em 2008.
Além da capilaridade da agremiação pelo interior, Yeda buscou reforçar sua posição na Assembleia Legislativa, onde o governo trava uma batalha com a oposição na CPI que iniciou os trabalhos ontem.
A conversão do PP em parceiro preferencial da aliança é uma alternativa de Yeda à dependência do PMDB, principal fiador de seu governo até agora, mas que já anunciou que terá candidato próprio ao governo. PP e PMDB têm, cada um, 9 dos 55 deputados da Assembleia.
Wenzel assumirá a pasta de Relações Institucionais.
O PSDB continuará comandando a Educação, com Ervino Deon no lugar de Mariza Abreu, e a nova secretária de Governo, Ana Pellini, não tem filiação partidária.