Os brasileiros que possuem computador em casa vêm gradativamente substituindo a conexão discada por acessos via banda larga ao longo dos últimos anos, mas o fenômeno não é suficiente para inserir mais pessoas no mundo da internet. A constatação é do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.Br), através da pesquisa Tecnologia da Informação e Comunicação no Brasil (TIC 2008). “Hoje observamos uma inversão. Em quatro anos está havendo um decréscimo de casas com telefone fixo e aumento do uso do celular como telefone residencial”, disse o gerente da CGI.Br, Alexandre Barbosa.
Segundo a pesquisa, em 2005 54% dos lares brasileiros dispunham de linha fixa, em 2008 esse percentual baixou para 40%. Em contrapartida, naquele mesmo ano havia 61% dos lares com celular e em 2008 o número subiu para 76%. “Então, está havendo uma inversão da tecnologia e isso tem repercussão na conexão de internet”, salienta Barbosa. Em 2005, 65% dos acessos eram feitos através de conexão discada, passando para 31% no ano passado. “Os acessos banda larga passaram de 22% para 58% dos lares com internet”, disse. Os números são baseados em lares com computador e internet, que hoje representam pouco mais de 20% das casas brasileiras, contra 13% de 2005.
A pesquisa TIC.br foi feita com 21 mil entrevistas, o que dá uma margem de 7% de erro na amostragem. O desenho das entrevistas, realizada em todas as regiões e Estados brasileiros, segue a metodologia da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, mas todo o trabalho é desenvolvido pelo CGI.br.
Dos domicílios que têm acessos à banda larga, 22% dos acessos à rede mundial de computadores é feito através de conexão DSL, que é o serviço oferecido pelas operadoras de telefonia fixa. As empresas de TV a cabo, representam 23% deste universo. O restante é dividido entre os acessos via rádio, satélite e celular. Segundo o dirigente, a pesquisa revela que há um processo de substituição de tecnologia, mas que a conexão discada ainda terá uma sobrevida no futuro próximo. “A principal questão neste caso é o custo. Hoje, um brasileiro médio ainda não tem condição de pagar pelo serviço de banda larga. É necessário programas de inclusão, barateamento de preço e é necessário encarar o acesso à internet como um serviço básico.”