Sem falar uma palavra durante as quase sete horas em que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou e livrou o deputado e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci da acusação de quebra de seu sigilo funcional, o caseiro Francenildo Costa foi cercado ao final da sessão pelo advogado Wlício Nascimento e acenou com a mão estar "decepcionado" com a decisão dos ministros do STF.
Escoltado por jornalistas, Francenildo leu um cartaz em que uma repórter questionava se ele estava "decepcionado" e acenou com o polegar em sinal positivo.
Ao livrar Palocci de participação pela quebra do sigilo bancário, o Supremo acabou por responsabilizar unicamente o ex-presidente da Caixa Econômica Jorge Mattoso pela violação e divulgação de informações sobre a conta corrente do caseiro. Dos nove ministros do STF presentes à sessão plenária, oito entenderam que há indícios de que o ex-dirigente do banco público teve participação direta no caso.
A divulgação dos dados de Francenildo ocorreu após ele confirmar que Palocci frequentava uma mansão em Brasília onde ocorriam supostas divisões de propina. O assessor de imprensa de Palocci na época, Marcelo Netto, e o então presidente da Caixa Econômica, Jorge Mattoso, teriam participado, na avaliação do Ministério Público Federal, da violação e divulgação das informações bancárias do caseiro.