O nome da ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira aparece nos registros de entrada do Palácio do Planalto apenas uma vez entre outubro e novembro do ano passado no dia 9 de outubro, segundo fontes da Presidência da República. A informação já havia sido divulgada pelo líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante. Nas outras possíveis datas em que as duas poderiam ter se encontrado - nos dias 18 e 19 de dezembro - não há qualquer registro impresso da ex-chefe do Fisco. Tampouco há nos três últimos meses do ano qualquer anotação da presença da ex-secretária, além do dia 9 de outubro.

Nesta terça-feira, assessores diretos da Presidência da República garantiram existir listas de papel que poderiam comprovar ou desmentir um eventual encontro da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, com a então secretária da Receita Federal, Lina Vieira. Na última sexta, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) informou que as câmeras de vigilância do Palácio do Planalto têm gravações feitas umas por cima das outras em um prazo médio de 30 dias, o que inviabilizaria qualquer tipo de comprovação da possível reunião.

A ex-chefe do Fisco sustenta a tese de que Dilma a teria convocado para o Planalto e pedido que fossem agilizadas e "encerradas" investigações contra empresas ligadas à família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Dilma Rousseff nega ter se encontrado com Lina Vieira e ter feito qualquer pedido dessa natureza.

De acordo com auxiliares de Lula, a regra é que toda pessoa que chegue ao Palácio do Planalto tenha seu nome registrado em uma tabela com informações do horário, data, local da reunião (seja ela agendada ou não), além do nome do funcionário que autorizou o visitante a entrar nas instalações da presidência da República. O controle seria válido para qualquer pessoa, incluindo ministros de Estado e o próprio presidente Lula.

Na última semana, o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (DEM-GO), solicitou formalmente à segurança do Palácio do Planalto imagens ou registros escritos de todas as autoridades que estiveram no local de trabalho do presidente Lula e de seus ministros mais próximos em novembro e dezembro do ano passado. O suposto encontro e o eventual tráfico de influência de Dilma teriam ocorrido, segundo Lina Vieira, nos últimos meses do ano passado.

Em nota à imprensa divulgada na sexta-feira, o GSI explicou que as câmeras de segurança armazenam imagens, coletadas a partir de sensores de movimento, em um período médio de 30 dias, mas "quando o setor de armazenamento no HD (disco rígido do sistema de vigilância) está cheio, novas imagens substituem as antigas".

- Deste modo, não mais existem as imagens relativas aos meses de novembro e dezembro de 2008 - informava a nota.

De acordo com a versão apresentada pelo GSI na última semana, a presença ou não de Lina Vieira também não poderia estar registrada em um livro de anotações, uma vez que, segundo as normas internas do sistema de segurança, autoridades com audiências sem agendamento prévio receberiam apenas um adesivo de acesso e não precisariam ser registradas em uma espécie de livro de presença.

Desgastado por uma série de escândalos, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), se mantém no comando do Senado com o apoio da Presidência da República. Dilma disse em diversas ocasiões que há uma tentativa de "demonizar" o peemedebista.