Dois policias militares acusados de envolvimento no massacre que deixou sete moradores de rua mortos na região central de São Paulo, 2004, foram condenados neste ano pela morte de Priscila Machado da Silva, testemunha da chacina.
A condenação dos PMs ocorreu em janeiro deste ano, mas não foi divulgada na ocasião. Os policiais já estavam presos desde 2005. Em março último, a Justiça aceitou pedido do Ministério Público e determinou a perda dos cargos dos condenados.
O chamado massacre da Sé ocorreu entre os dias 19 e 22 de agosto de 2004. Priscila foi morta em 23 de março de 2005 sob o viaduto do Glicério. Ela presenciou o assassinato da moradora de rua conhecida como Maria Baixinha.
O PM Renato Alves Artilheiro foi condenado a 20 anos de reclusão. O PM Sandro Cornélio de Carvalho foi condenado a 22 anos e seis meses, por ter sido considerado o responsável pelos disparos que mataram Priscila.
Os dois condenados tiveram a pena aumentava em um terço acima do mínimo por serem policiais, e em um quarto pelos agravantes de o crime ser cometido sem possibilidade de defesa, ser violência contra mulher e por ter ocorrido abuso de poder do cargo. Também foi considerado que a vítima foi agredida pelos policiais antes de ser morta.
Na sentença, a juíza atribui o mesmo enunciado aos condenados. "Pela relevante função pública que exercia, de policial militar, tinha o dever de proteger a sociedade e a população e, ao contrário, realizou ataque covarde à vítima, desamparada e desprotegida, o que revela maio reprovabilidade em sua conduta."
A denúncia cita ainda outros dois PMs envolvidos na morte de Priscila: Francisco Eduardo Peixoto e Fábio de Souza Moreira. O Júri absolveu Moreira das acusações e a Justiça determinou que ele fosse solto da prisão. O processo foi desmembrado em 2007 e Peixoto ainda não foi julgado.
A Folha Online não conseguiu confirmar o nome dos advogados que defendem os policiais.