O Ministério da Fazenda discute internamente a possibilidade de
criar um novo tributo a ser cobrado das editoras de livros para
viabilizar a implementação do Fundo Pró-Leitura, instrumento
para incentivar a leitura no País. A proposta, que tem origem no
Ministério da Cultura, conta com o apoio de integrantes do
gabinete do ministro da Fazenda, Guido Mantega, mas não tem a
simpatia da área técnica, principalmente Receita Federal e
Secretaria de Política Econômica.
Os técnicos contrários à tributação avaliam que o momento de
crise econômica não é propício para aumentar a carga tributária,
ainda que de um setor específico. Além disso, um novo tributo
tornaria ainda mais complexo o já complicado sistema tributário
brasileiro. A avaliação desses técnicos é que, se não houver
alternativa e for definida a tributação, o melhor seria elevar
PIS/Cofins do setor.
Os defensores dentro do governo da nova tributação argumentam que
esse foi um compromisso assumido pelos livreiros em 2004,
quando, no Plano Nacional do Livro e Leitura, houve a
desoneração de PIS/Cofins das editoras. A contrapartida assumida
à época pelos editores foi a de as empresas contribuírem com 1%
do faturamento anual para o Fundo Pró-Leitura, que financiaria
atividades como montagem de bibliotecas e formação de
professores e bibliotecários. Pelos cálculos preliminares do
Ministério da Fazenda, a contribuição para o fundo representaria
um custo de R$ 60 milhões por ano ao setor.
A eliminação do PIS/Cofins representou uma renúncia fiscal da
ordem de R$ 300 milhões. O governo esperava que a desoneração
resultasse na redução dos preços dos livros, o que, segundo uma
fonte, não ocorreu. “As empresas usaram a desoneração e não
contribuíram para o fundo”, afirmou. “Os preços de livros só
caíram recentemente por causa da crise.”
O diretor de livro, leitura e literatura do Ministério da Cultura, Fabiano dos Santos Piúba, defendeu a contribuição do setor para o fundo, destacando que representaria “um compromisso social do setor para a constituição de um país leitor”. Piúba ressaltou que o fundo vai fomentar a criação e modernização de bibliotecas, bem como a ampliação de seus acervos, formação de professores, bibliotecários, contadores de histórias e campanhas de leitura. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.