Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) de cinco estados brasileiros já começaram a julgar processos relativos a doações supostamente ilegais para campanhas das eleições gerais de 2006. As ações foram propostas pelo Ministério Público Eleitoral a partir das informações encaminhadas pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Carlos Ayres Britto.
Essas informações resultaram do cruzamento de dados de prestações de contas eleitorais de 2006 e a base de dados da Receita Federal do ano anterior. Os doadores sob investigação supostamente extrapolaram os limites previstos na Lei das Eleições (nº 9.504/97): 10% dos rendimentos brutos para pessoas físicas e 2% do faturamento bruto para pessoas jurídicas (artigos 23 e 81).
Acre
Segundo notícias da página de internet do TRE do Acre, estado onde mais de 60 processos já foram instaurados, 21 pessoas físicas e 16 empresas já foram multadas desde abril deste ano. A maior multa aplicada a um doador (pessoa física) foi de R$ 35 mil. A doação, segundo o TRE, ultrapassou o limite legal de 10% dos rendimentos brutos do ano anterior à eleição. Apesar de não ter declarado ao fisco faturamento no ano anterior, em 2006 o eleitor doou R$ 7 mil a um dos candidatos a governador no estado.
Quanto às pessoas jurídicas, a empresa P.H.A. Lucena teve a maior multa no estado – R$ 53 mil. O TRE confirmou que a empresa ultrapassou o limite de 2% do rendimento bruto no exercício financeiro anterior ao pleito.
Rio Grande do Norte
Cinco empresas no Rio Grande do Norte também foram multadas este ano. Juntas, elas terão que pagar aproximadamente R$ 99 mil à Justiça Eleitoral. A maior multa determinada pelo TRE potiguar foi em julho deste ano, no valor de R$ 38,1 mil, contra a empresa A.D.A.
Alagoas
O TRE alagoano já condenou cinco pessoas físicas por doações acima do limite legal nas eleições de 2006. As multas variaram de R$ 8,3 a R$ 35 mil. A ex-deputada estadual Lucila Régia Toledo, mulher do atual presidente da Assembléia Legislativa, Fernando Toledo, teve a maior multa no estado.
Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, o TRE condenou o Instituto Collunas de Terapia ao pagamento de cerca de R$ 28 mil, por doação ilegal para a campanha de 2006. Sem apresentar declaração de rendimentos relativa ao exercício de 2005, o Instituto doou R$ 5,6 mil para candidatos nas eleições gerais.
São Paulo
Em São Paulo, segundo o site de notícias do TRE, o Ministério Público já apresentou cerca de 2,8 mil representações com base nas informações recebidas do cruzamento de dados do TSE e da Receita Federal. No início de agosto, a Corte estadual julgou o primeiro caso, que envolve a empresa CMMO, e rejeitou a aplicação de multa, sob entendimento de que a ação foi proposta fora do prazo legal. Outros seis processos começaram a ser julgados em junho, mas foram interrompidos por pedidos de vista.
Base legal
De acordo com a Lei das Eleições, as doações de valor acima dos limites fixados sujeitam o infrator ao pagamento de multa no valor de 5 a 10 vezes a quantia em excesso. Além disso, o candidato beneficiado pode responder por abuso de poder econômico, o que pode levar à cassação de seu registro e à decretação de sua inelegibilidade nos 3 anos subseqüentes àquela eleição.
Cabe recurso ao TSE contra as decisões dos TREs, sejam elas pela aplicação de multa ou pelo arquivamento de processos.
Justiça Eleitoral inicia julgamento de ações contra doações supostamente ilegais feitas em 2006
21/08/2009, 15:46 - Política
Por teresa
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