O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, divulgou nota no começo da tarde desta sexta-feira sobre o telefone do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ele, mais cedo. Na mensagem, Obama afirma que quer "trabalhar em uma parceria construtiva com o Brasil", porém diz que encontrará o colega brasileiro pela próxima vez na reunião do G20 que será em Pittsburgh (EUA) nos próximos dias 24 e 25 de setembro.

Com isso, o americano indica ter recusado o pedido do presidente Lula para que participasse da próxima reunião da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), prevista para o próximo 28 de agosto, em Bariloche (Argentina), com o objetivo de dar garantias aos sul-americanos de que a crescente atuação militar americana na Colômbia, acertada em acordo que deverá ser oficializado em breve.

Se aprovado, o acordo permitirá aos EUA manter 1.400 pessoas, entre militares e civis, em bases na Colômbia, pelos próximos dez anos. Os dois aliados afirmam que o acordo não é novo, mas sim extensão do acordo de combate ao narcotráfico e às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) chamado de Plano Colômbia; e argumentam que todas as bases ficarão sob controle colombiano.

No entanto, o acordo gerou tensão e discursos sobre uma possível corrida armamentista na região. No Brasil, o assunto gerou especial desconfiança depois de vir à tona a informação de que os aviões americanos que operarão na base de Palanquero, no centro da Colômbia, têm um raio de ação muito superior ao necessário para o combate ao narcotráfico.

Bolívia, Equador e Venezuela já se declararam contra a presença de militares americanos na região. Já Argentina e Uruguai, além do Brasil, demonstraram preocupação, porém disseram reconhecer a soberania da Colômbia nas suas relações exteriores. Chile e Peru, por sua vez, ratificaram seu apoio ao governo colombiano.

Conforme o chanceler brasileiro, Celso Amorim, no telefonema desta sexta-feira, o presidente Lula pediu que Obama fosse à reunião da Unasul.

"O presidente reiterou nossas posições mostrando que há uma sensibilidade na região muito grande, mostrando que não é uma questão de um país, mas é nossa também. Ele insistiu na ideia de que haja garantias formais, juridicamente válidas, de que os equipamentos e pessoal não serão usados fora do estrito propósito de combate às Farc", disse Amorim.

Na mensagem distribuída aos meios de comunicação sobre a conversa com Lula, a equipe de Obama disse que o americano "reafirmou seu compromisso com as duradouras relações dos EUA na região e seu desejo de trabalhar em uma parceria construtiva com o Brasil e outros do hemisfério para ajudar no avanço da democracia, segurança e prosperidade para o povo das Américas", mas que "está ansioso para encontrar o presidente Lula no mês que vem na reunião do G20 em Pittsburgh", sem mencionar a cúpula da Unasul.