A sessão extraordinária da Assembléia Legislativa de Alagoas, marcada para a noite de ontem, que iria debater o oficio enviado a ALE com o pedido de afastamento do deputado Cícero Ferro, por suposto envolvimento no assassinado do vereador de Mata Grande, Fernando Aldo, foi cancelada.

Durante toda tarde e noite, deputados se articularam em torno de qual decisão seria tomada, já que a determinação era acatar em 24h o afastamento. Uma reunião a portas fechadas entre Ferro, seu advogado e outros parlamentares optaram por realizar a sessão especial, já que a ordinária que começou as 15h15 não teve quorum suficiente.

A não presença do presidente Fernando Toledo (PSDB) – está em viagem ao Rio de Janeiro para participar de encontro sobre a possível instalação de uma usina nuclear em Alagoas - foi a alegação do segundo vice-presidente Sergio Toledo (PMN) para a não realização da sessão extraordinária. Segundo ele, o presidente é quem irá decidir se aceita ou não o pedido de afastamento.

O Caso

O desembargador Orlando Manso determinou, na tarde de ontem, 19, o afastamento do deputado estadual Cícero Ferro (PMN). A decisão é baseada no pedido do Ministério Público Estadual de Alagoas – MPE.

Ferro esteve afastado da ALE por mais de um ano, após ter sido indiciado pela Polícia Federal, na Operação Taturana, que investigou o desvio de cerca de R$ 300 milhões da Assembléia Legislativa de Alagoas - ALE. O deputado voltou ao cargo após decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes.

A decisão do desembargador teria como base o suposto envolvimento do parlamentar na morte do vereador da cidade de Delmiro Gouveia, Sertão de Alagoas, Fernando Aldo. Ferro é acusado de ser um dos mandantes do crime, ocorrido em Mata Grande – também no Sertão alagoano -, em outubro de 2007.

Já o advogado do parlamentar, Welton Roberto, por telefone confirmou ao Cada Minuto que o 2º vice-presidente da Casa até a noite de ontem, não tinha lhe entregue a decisão do afastamento de seu cliente, mas considerada a conclusão do desembargador como um equivoco, lembrando uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal – STF, que afirmou que o Poder Judiciário Estadual não pode afastar um parlamentar.