O ex-pedreiro e músico Anisio Rodrigues Alves, de 116 anos, morreu na manhã deste domingo (16), em Salvador. Segundo familiares, ele fazia tratamento contra o câncer de próstata e estava com a saúde debilitada. O sepultamento foi realizado no Cemitério Jardim da Saudade, na manhã desta segunda-feira (17.
Apesar da saúde fragilizada, seu Anísio disse, em entrevista ao
G1 em março deste ano, que fazia planos para o
futuro. Sempre bem humorado, ele afirmou que queria encontrar
uma companheira. "Eu quero encontrar uma Amélia para mim,
porque Amélia que é mulher de verdade", disse o centenário
à época, em referência à música de Ataulfo Alves e Mário Lago.
"Ele teve uma crise de saúde recentemente e estava bem mais fraquinho. Pelo menos, acho que ele foi embora sem sentir dor, sem sofrer", disse o neto Walter Rodrigues da Silva, 56 anos.
História
Anisio foi morar em Salvador em 8 de agosto de 1961. Ele nasceu na cidade de Riachão de Jacuípe (BA), de onde saiu para trabalhar e constituir família.
Ele foi casado duas vezes, teve 19 filhos e vivia com a filha Anísia Ferreira Rodrigues, 65 anos. Da primeira união, Anisio, com dona Jesuína, ele teve 13 filhos. O segundo matrimônio foi com dona Francisca, com quem teve seis filhos.
Ele gostava de lembrar que viveu em três séculos e se gabava da
memória farta, às vezes falha, mas que ainda lhe rendia
gargalhadas aos ouvintes."
Coluna Prestes e Cangaço
Anisio costumava contar passagens da história do país, como a Coluna Prestes e o Cangaço. "Eu fui preso em junho de 1926 no povoado de Pé da Serra, em Riachão de Jacuípe. Me levaram a capa de chuva que tanto gostava."
Sobre o Cangaço, Anísio afirma ter registrado a passagem do bando de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, em sua terra natal. "Não sei se ele estava junto, mas eles aprontavam bastante por onde passavam. Dizem que ele virou bandido depois que mataram o pai dele."