Uma denúncia anônima pode levar a Polícia Civil de Alagoas – PC/AL - a mudar os rumos das investigações da morte do policial civil Paulo de Lima Albuquerque, de 37 anos, morto a tiros durante uma suposta troca de tiros com PMs.

A versão oficial divulgada pela polícia no dia do crime, 8 de agosto, dá conta que Paulo de Lima teria entrado numa residência de um empresário no município de Santana do Ipanema, Sertão de Alagoas, junto com outros quatro homens com a intenção de roubarem a casa. Dentro do imóvel, uma adolescente teria notado a presença dos estranhos e conseguiu ir para um dos quartos, onde escondida, ligou para o proprietário da residência que teria chegado ao local junto com policiais militares.

Vendo que o assalto tinha sido frustrado a suposta quadrilha tentou fugir. A versão dos policiais é de que houve troca de tiros e Paulo de Lima foi baleado, sendo inicialmente socorrido até o hospital da cidade, onde lá, devido a seu estado grave de saúde, foi levado com vida para a Unidade de Emergência do Agreste, em Arapiraca, em uma ambulância, morrendo no trajeto.

Junto com Paulo Lima estavam Marcos Paulo Costa Pereira, Wagner Rodrigues da Silva e Pedro Severino dos Santos Filho, todos presos. Wagner Rodrigues e Marcos Paulo que se identificou como camelô, disseram que residem na Rua Cleto Marques Luz, no bairro Levada, em Maceió. Um outro homem, conhecido por “Macumba”, que seria cunhado do policial civil, conseguiu fugir.

Durante o socorro do policial para o hospital, foi encontrada com ele uma carteira com documento falso em nome de Osman da Silva Peixoto Júnior.

Na delegacia, os presos confessaram que o policial civil já tinha participado de outros assaltos na região. Eles estavam em um Celta de placa MVE 7276/AL, pertencente à Maria da Glória Costa Barros que havia sido tomado em assalto em Arapiraca um dia antes de Paulo ser morto. Também foi apreendida uma motocicleta Tornado, placa NLX 1033-Palmeira dos Índios.

No veiculo foram encontradas armas, munição, um pé de cabra, maçarico e outras peças para arrombar imóveis. Paulo de Lima Albuquerque, que já foi chefe de serviço de delegacias do interior do Estado, ultimamente estava afastado por decisão da Corregedoria da PC/AL, devido a uma série de acusações que o envolviam, desde estupros até assaltos.

O fato que deve mudar os rumos das investigações aconteceu após a divulgação de uma foto tirada após o policial da entrada na Unidade do Agreste. Na foto, que a polícia não informa quem a tirou, mostra que Paulo de Lima morreu com um tiro na testa. Entretanto, ele deixou o hospital de Santana do Ipanema vivo e sem marcas de tiro na cabeça conforme as duas fotos aqui publicadas.

Assim, o policial, segundo as denÚncias, teria sido vítima de um complô que teve a finalidade de executá-lo. O fato também chegou ao conhecimento do jornal Tribuna do Sertão, em Palmeira dos Índios, interior alagoano e que nesse final de semana publicou uma reportagem de capa com as duas imagens do policial morto, antes e após ele deixar o hospital.

Paulo de Lima que já foi segurança do ex-prefeito da cidade de Estrela de Alagoas, Sertão de Alagoas, Antônio Garrote, já falecido, teria assumido meses depois da morte do patrão, o papel de segurança da mulher do ex-prefeito, Ângela Garrote com quem teria tido um desentendimento supostamente por causa de política. A família do policial nega, mas informações chegadas à polícia também dão conta que Paulo de Lima chegou a ser ameaçado no ano passado por Ângela Garrote e pelo irmão dela, Djalma Lira de Jesus, conhecido por Tatu e que já foi preso pela Polícia Federal de Alagoas, acusado de integrar uma quadrilha que havia alugado uma residência no bairro do Farol em Maceió, de onde foi escavado um túnel que daria acesso a agência da Caixa Econômica Federal, que seria assaltada.

Outro fato também chama a atenção. Paulo era amigo do policial militar Jeovani Gomes de Aquino, que foi preso esse ano acusado e tramar a morte do vigilante Clerisvaldo Pereira de Lima, crime ocorrido em novembro de 2005. O PM trabalhava para Ângela Garrote e segundo denuncias chegadas a Justiça teria recebido R$ 10 mil reais de Ângela para contratar os pistoleiros que seqüestraram, torturaram e mataram o vigilante que tinha intenções de ser candidato a prefeito, por um grupo de oposição a família Garrote.

No último mês de maio a juíza Ana Raquel, integrante da 17ª Vara Criminal da Capital, responsável pelo combate ao crime organizado no Estado determinou as prisões de Ângela Garrote, do irmão dela, Aldo Lira e do PM Jeovani Gomes. Todos acusados da morte do vigilante Clerisvaldo.

As prisões aconteceram após um desentendimento entre o militar e o policial civil Paulo de Lima. Na cidade de Estrela de Alagoas, os comentários eram de que Paulo havia denunciado todos os envolvidos a Justiça e que a delação não ficaria impune. Baseadas numa serie de denuncias, fontes da PC/AL admitem que a morte do policial pode sofrer uma grande reviravolta.

A reportagem do Cadaminuto tentou ouvir o delegado regional da Polícia Civil de Santana do Ipanema, Isaías Rodrigues. Por telefone ele disse que não sabia dos desdobramentos do caso, mas confirmou que o inquérito foi encaminhado a direção da Polícia Civil em Maceió, que determinou uma investigação especial para a morte do agente do policial.

A imagem retirada pelo portal Sertão 24 Horas antes do corpo chegar a Unidade de Emergência  de Arapiraca, revela que na parte frontal de Paulo Albuquerque, não existia nenhum ferimento. A outra foto publicada no semanário Tribuna do Sertão, tirada no IML mostra a vítima com um disparo de arma de fogo na testa. A fotografia chegou a redação do jornal em um envelope anônimo.