A gestão de Washington Rio Branco à frente da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) está sendo investigada pela Polícia Civil por conta de lançamento de créditos virtuais no sistema de gestão florestal, no último dia 29 de junho, feriado de São Pedro.

Estima-se que a fraude dos créditos virtuais tenha provocado um rombo de R$ 30 milhões nos cofres públicos.

Segundo uma fonte de dentro do órgão ambiental (que não se identificou por receio de retaliações), as informações apuradas dão conta de que a viabilidade da fraude passaria pelo apoio da área de informática.

A gestão florestal se dá por um sistema computacional que, como tal, tem seus mecanismos de segurança sob gestão de quem conduz o serviço de informática dentro da organização.

Aliado a isso, os fatos investigados na Sema estariam aliados à inoperância da fiscalização, pois, desde o início da atual gestão, nenhuma equipe de fiscais foi enviada para o interior a fim de apurar a extração e o transporte ilegais de madeira.

Na Ponta da Espera, por exemplo, diariamente têm chegado a São Luís dezenas de caminhões com carregamento de madeira sem ter a legalidade comprovada, em razão da suspensão da fiscalização nos últimos meses.

De acordo com a mesma fonte, a emissão de guias florestais fraudulentas serve para “esquentar” madeiras extraídas ilegalmente.

No Maranhão, os alvos principais dos madeireiros são as unidades de conservação, como a Reserva Biológica do Gurupi ou o Parque Estadual do Mirador, além das reservas indígenas.

Geralmente, nas regiões onde o tráfico de madeira é intenso também são elevadas as taxas de crimes como tráfico de drogas, homicídios e prostituição infantil. Entre as cidades com maiores índices de desmatamento ilegal estão Buriticupu, Bom Jesus das Selvas, Nunes Freire, Centro do Guilherme e Amarante.
ROMBO

O esquentamento de madeira constitui um crime ambiental e fiscal para o Estado, uma vez que, além da devastação florestal, os danos aos cofres públicos superam os contabilizados oficialmente.

Em torno desses créditos irregulares, um verdadeiro mercado é aquecido, beneficiando o comércio ilegal de madeira em todos os estados que compõem a Amazônia Legal.

De acordo com a legislação ambiental do estado do Maranhão, só podem receber créditos para a emissão de guias de transportes de produtos florestais empreendimentos que estiverem cadastrados na Sema e comprovem a origem legal da madeira.

Para ser considerada legal, a madeira deve ser fruto de uma  autorização de desmatamento ou de um plano, ambos outorgados pelo órgão ambiental competente.

O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) utiliza um sistema chamado DOF (Documento de Origem Florestal) e a Sema, o Sistema de Controle da Comercialização e Transporte da Madeira no Estado do Maranhão.