O presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Fernando Toledo
(PSDB), admitiu que a maioria dos servidores da Casa não dá expediente
há anos. Para ele, a Assembleia possui em torno de quatroSem controle sobre o número de servidores que realmente trabalham,
Toledo alega que a maioria dos 901 funcionários efetivos está em casa
porque "no prédio da Assembleia não cabe todo mundo".
"Se
formos convidar todos a vir trabalhar, vai virar aquilo que já
aconteceu: fica uma fila de gente na porta diante desse prédio. Já
aconteceu isso em outros momentos", afirmou o presidente da Assembleia,
em entrevista ao jornal Gazeta de Alagoas neste domingo (16). Para ele,
da Casa necessitaria apenas de "200 a 250 funcionários".
Além
dos servidores efetivos, cada um dos 27 deputados tem direito a 25
cargos de comissão (675 ao todo), com salários que chegam a R$ 8.040.
Somados aos 350 aposentados e pensionistas, a Assembleia custeia quase
dois mil trabalhadores
O prédio da Assembleia tem pouco mais de
3.000 m² de área construída ee realiza três sessões ordinárias por
semana. O recesso parlamentar é de 90 dias.
"No prédio da
Assembleia só cabem 400 servidores trabalhando. Isso se estivesse
cheio, estourando", afirma o líder da minoria, deputado Judson Cabral
(PT).
Com o reajuste concedido pela Justiça no ano passado e a
recente aprovação do plano de cargos e salários, a folha de pagamento -
incluindo os deputados - ultrapassa R$ 8 milhões mensais.
Assembleia mantém ainda 24 médicos em seus quadros, que atenderiam em uma pequena sala do prédio. vezes mais
funcionários do que o necessário.
Estabilidade constitucional
Para chegar a um "número preciso"
de servidores que realmente trabalham, a Assembleia realizou auditoria
e recadastramento de servidores no final do ano passado.
Segundo
Toledo, os dados, vão possibilitar a transferência de funcionários
ociosos. "O que estamos fazendo, com muita tranquilidade, é tentar
fazer uma lotação, algo racional", disse.
O presidente do
legislativo alega que, por serem cargos ocupados antes da Constituição
de 1988, os servidores estão protegidos por uma estabilidade funcional
e não podem ser demitidos. "Não fomos nós que criamos isso. Com a
Constituição, todos ganharam estabilidade", afirmou.
Oposição critica
Embora
o presidente alegue não ser o causador do inchaço, os deputados da
oposição criticaram as declarações de Toledo. O deputado Judson Cabral
classificou as palavras do presidente como incoerentes.
"O
presidente da Casa tem a obrigação de encaminhar medidas. Ele faz um
comentários desses, mas não apresenta os resultados da auditoria feita
no ano passado. E o recadastramento?", pergunta o deputado.
Cabral
cobrou providências do presidente da Assembleia: "Se tem um monte de
gente que não vai trabalhar, que se tome as providências. Mas ele
[Toledo] não fez nada, ainda não apresentou um relatório. É
responsabilidade da Mesa resolver o problema, embora concorde que essa
gestão não é a culpada por essas contratações".
Judson ainda
sugere soluções, como uma busca detalhada por contratações irregulares.
"A auditoria é para saber quantas pessoas entraram de forma irregular e
exonerá-las. Se tem gente demais, vamos revezar esses funcionários,
ampliar a jornada para dois turnos, colocá-los a disposição do
Judiciário, do Executivo. Muita gente quer trabalhar, mas não tem
condição", alegou.
Um servidor da Assembleia - que pediu para
não se identificar - diz que foi afastado do cargo de analista de
recursos humanos há mais de 10 anos e recentemente tentou reingressar
ao trabalho.
"Procurei o setor de recursos humanos e coloquei
minha intenção, mas nunca fui chamado. Têm muitos, como eu, nessa
condição. Fui afastado porque a Mesa Diretora da época colocou pessoas
do interesse dela", disse o servidor, que continua recebendo os
vencimentos normalmente.
Falta de transparência
O
deputado Rui Palmeira (PR) alega que falta transparência à Mesa
Diretora quanto à prestação de contas sobre cargos e salários na Casa.
"Desde de novembro, apresento uma série de requerimentos para saber
sobre as gratificações, quem as recebe, mas nunca obtive resposta",
reclamou.
Segundo o parlamentar, os requerimentos enviados
sumiram. "Em julho, encaminhei outro requerimento para saber a
quantidfade de cargos de comissão e quantos deles estão à disposição da
Mesa. Mas se antes nossos requerimentos não eram atendidos, agora, eles
estão sumindo. O caminho será uma ação na Justiça", denunciou Palmeira.
Maioria dos servidores da Assembleia não trabalha, admite presidente
17/08/2009, 14:47 - Política
Por carlinhos
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