A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva de cinco policiais civis. Dois foram presos ontem, sábado, (15) e os outros três estão foragidos. Eles são acusados de pertencerem a uma quadrilha que extorquiu cerca de R$ 1,5 milhão de pessoas ligadas ao traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia.
Com base em investigação da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, o Ministério Público apurou que Abadia deu quase R$ 1,5 milhão a policiais em pelo menos três extorsões. Policiais de Diadema, no ABC, por exemplo, sabiam quem movimentava o dinheiro da quadrilha. Segundo a Corregedoria, os policiais planejaram um sequestro deste integrante da quadrilha e pediram a ajuda de um investigador do Departamento de Narcóticos de São Paulo (Denarc).
Na denúncia, os promotores afirmam que os investigadores do Denarc traíram os de Diadema e realizaram o sequestro primeiro. A quadrilha de Abadia, então, pagou US$ 280 mil para que o comparsa fosse solto. E as extorsões continuaram.
Outro integrante do bando contou que foi procurado pelos policiais de Diadema, que pediram uma moto e reclamaram que o traficante já havia dado dinheiro a outros agentes. Depois de receber o dinheiro da moto, um dos policiais de Diadema descobriu que a quadrilha ia negociar um carro em uma loja da Zona Norte de São Paulo e procurou dois investigadores da capital. Juntos, fizeram mais um sequestro.
Os policiais simularam uma blitz, obrigaram o carro dos bandidos a parar e levaram mais dois integrantes da quadrilha de Abadia. Segundo a denúncia, Abadía autorizou a entrega de R$ 250 mil e US$ 100 mil. Abadia denunciou os crimes quando foi preso pela Polícia Federal, em 2007.
O Ministério Público pediu a prisão preventiva dos cinco policiais para proteger testemunhas e evitar que as extorsões continuem. “Se eles extorquiram criminosos de alta periculosidade, imagina o que eles não podem fazer na rua com pessoas de bem pra levantar dinheiro”, disse o promotor do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) Everton Zanella.
A Corregedoria investiga a participação de outras pessoas. “Policiais das 14 carreiras e de qualquer classe vão ser responsabilizados pelos seus atos: escrivão, carcereiro, delegado, agente, quem quer seja. Nós vamos expurgar quem não merece estar no nosso convívio”, afirmou o delegado titular da Divisão de Crimes Funcionais da Corregedoria, Caetano Paulo Filho.
O delegado divisionário disse que os policiais negaram os crimes ao serem presos. Os policiais suspeitos ficarão detidos na carcerageram da própria Corregedoria.
Abadia foi extraditado para os Estados Unidos na madrugada de 22 de agosto de 2008. Ele foi retirado do Presídio Federal de Segurança Máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e levado para uma unidade prisional nos Estados Unidos. No Brasil, o traficante colombiano foi acusado de lavagem de dinheiro, uso de documento falso, formação de quadrilha e corrupção ativa.
Abadia deu R$ 1,5 milhão a policiais em pelo menos 3 extorsões, diz MP
16/08/2009, 02:29 - Brasil/Mundo
Por eduardocardeal
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