Um atentado suicida do Taleban matou ontem pelo menos sete pessoas e feriu mais de 90 na frente do quartel-general da Isaf (Força de Segurança e Assistência Internacional) em Cabul.
Foi o primeiro grande atentado contra um alvo militar estrangeiro na capital afegã, considerado o lugar mais seguro para ocidentais no país, e ocorre a cinco dias da eleição presidencial.
A Isaf concentra as forças aliadas dos Estados Unidos no território afegão. A bomba explodiu às 8h35 (1h05 em Brasília), e foi sentida em toda a cidade. O número de baixas é de civis --ainda não se sabe quantos militares ocidentais foram atingidos.
Segundo a Isaf, um carro com os terroristas passou por uma das barreiras de segurança. Um porta-voz do Taleban afirmou que o alvo era a embaixada americana, que fica a menos de 500 metros do lugar.
Quando chegou a uma segunda barreira, soldados afegãos suspeitaram do comportamento dos ocupantes do carro --dois ou três, segundo relatos de testemunhas à Folha. "Eles chegaram a 30 metros de nosso portão principal e detonaram a bomba", afirmou o general canadense Eric Taunblay, porta-voz da Isaf, aos jornalistas que correram de seus cafés-da-manhã para o local do atentado.
Havia rastros de sangue pelo chão, e ambulâncias ainda trabalhavam no local quando a reportagem conseguiu chegar, 40 minutos depois da explosão. Os militares, italianos e franceses em sua maioria, fecharam todos os acessos ao local. Nem o chefe de investigação da polícia de Cabul pôde entrar. "É uma cena de crime, entendam por favor", afirmou o coronel americano William Shanks à Folha.
O atentado ocorre enquanto correm boatos de que o governo afegão negocia uma trégua com o Taleban, que prometeu inviabilizar as eleições da próxima quinta-feira com violência generalizada.
Mas o mais grave, do ponto de vista de segurança, é que o carro com os terroristas tenha chegado dentro de uma área tão protegida. Praticamente ninguém passa sem credenciais e revista no carro. "Vamos investigar o que aconteceu, mas é importante notar que eles não conseguiram chegar a nenhum objetivo, explodiram quando foram pegos", disse Taunblay.
Como sempre, civis nas ruas são as principais vítimas. Todo o QG da Isaf é cercado por muros e barreiras antibomba. Ele, como a embaixada americana e outras, fica numa área de segurança máxima de Cabul, onde há barreiras em todas as ruas e presença militar ostensiva. Estrangeiros com residência fixa e que trabalham em empresas de construção e segurança moram em verdadeiras fortalezas nessa região e raramente saem às ruas.