As investigações do Ministério Público de São Paulo que levaram à denúncia contra Edir Macedo e mais nove pessoas mostraram que dinheiro doado por fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus para a caridade foi usado em benefício do grupo. Segundo os promotores, na compra de imóveis, entre outros bens.

Na segunda-feira (10), a Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público contra o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, e outras nove pessoas, acusadas de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Na quinta-feira (13), o jornal “O Estado de S. Paulo” trouxe como manchete a chamada: “Universal aplicou dízimo em imóveis”.

A reportagem relaciona uma série de bens comprados pelo grupo de Edir Macedo, como carros, emissoras de rádio e televisão e mais 19 empresas. A informação é de fontes oficiais como os relatórios do Coaf, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, órgão federal de combate a crimes financeiros.

Os relatórios do Coaf embasam a denúncia contra Edir Macedo e outros nove acusados dos crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

O jornal “O Estado de S. Paulo” destaca uma das conclusões da promotoria: empresas ligadas à igreja são usadas para simular a compra e venda de imóveis, empresas e aeronaves pertencentes ao grupo criminoso. Entre as operações aparece a compra de imóveis pela Rede Record, no valor de R$ 25,6 milhões, entre 1996 e 2007.

O Coaf cita um prédio em Salvador, comprado em 1999 por R$ 8 milhões. Em São Paulo, em 2000 e 2001, foram comprados uma casa, por mais de R$ 3 milhões, e um terreno por mais de R$ 4 milhões.

No Rio de Janeiro, dois terrenos em 2006: um no valor de quase R$ 8,5 milhões. Outro, de pouco mais de R$ 1,7 milhão.

Segundo a promotoria, os bens são comprados com dinheiro dos fiéis. O dinheiro passa por empresas de fachada e volta para o grupo acusado.

Em um prédio em São Paulo que estão registradas duas empresas citadas pela promotoria: a Unimetro e a Cremo Empreendimentos.

Segundo a denúncia, elas são usadas pelo grupo Universal para esconder a origem do dinheiro empregado ilegalmente em benefício de Edir Macedo e dos outros acusados, o que contraria o princípio de que dízimos e ofertas só podem ser aplicados na própria igreja e em suas obras sociais.

Assim, o dinheiro das ofertas, em vez de beneficiar projetos sociais, sustenta empresas particulares que visam lucro, como afirmam os promotores.

No pedido à Justiça para quebrar o sigilo bancário e fiscal dos acusados, a promotoria diz textualmente que: "só em 2006 teriam sido desviados R$ 240 milhoes de fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus. E repassados para a Rede Record de televisão."

O advogado dos réus, Artur Lavigne, não quis gravar entrevista. Por telefone, disse que ainda está fazendo cópias do processo contra seus clientes e que por isso não tem conhecimento da denúncia do Ministério Público na íntegra.

Lavigne também disse que não leu a reportagem publicada no jornal “O Estado de S. Paulo”, mas considera que as denúncias que têm sido publicadas pela imprensa são infundadas.