Uma comissão de representantes de movimentos sociais foi recebida nesta quarta-feira por integrantes do governo federal para discutir a pauta de reivindicações dos sem-terra pela reforma agrária.

Participaram do encontro integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) e do MPA (Movimento dos Pequenos Agricultures). Por parte do governo, estavam presentes os ministros Luiz Dulci (Secretaria-Geral) e Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário), além dos secretários-executivos João Bringel (Ministério do Planejamento), Nelson Machado (Fazenda) e Roberto Kiel (Incra).

Entre as reivindicações dos sem-terra está o descontingenciamento de mais de R$ 700 milhões do orçamento do Incra para este ano e aplicação na desapropriação e obtenção de terras.

Após receber a pauta, os representantes do governo afirmaram estar empenhado em atender as demandas apresentadas, mas pediu prazo até a semana que vem para estudá-las e construir um calendário de trabalho.

Até o novo encontro, marcado para a próxima terça-feira (17), os sem-terra manterão a mobilização em âmbito nacional. Nesta quarta-feira, os movimentos sociais realizaram protestos em 11 Estados.

No Rio Grande do Sul, cerca de cem integrantes do MST ocuparam o escritório do Incra em São Gabriel. Outros 700 manifestantes ocuparam a fazenda Southall e mais 300 pessoas ocuparam o prédio da prefeitura do município. As famílias reivindicam melhorias em infraestrutura no assentamento criado na cidade no fim de 2008 em parte da fazenda.

Em Roraima, cerca de 800 manifestantes ligados ao MST, ao MMC (Movimento de Mulheres Camponesas), à CPT (Comissão Pastoral da Terra), à Fetag e aos sindicatos de professores continuam acampados na sede do Incra, em Boa Vista.

Na Bahia, cerca de 600 integrantes do MST continuam a ocupação na superintendência do Incra, em Salvador, em protesto contra os cortes do orçamento para a reforma agrária e em defesa do assentamento das 28 mil famílias acampadas em todo o Estado.

No Pará, 850 trabalhadores do MST continuam ocupando a sede do Incra em Belém. Ontem, os sem-terra ocuparam a delegacia do Ministério da Fazenda em Belém depois de sete dias de marcha de 200 quilômetros pela rodovia Belém-Brasília.

No Rio Grande do Norte, cerca de 600 sem-terra continuam ocupando a sede do Incra em Natal. Eles cobram o assentamento das 2.000 famílias acampadas no Estado.

Em Pernambuco, cerca de 150 famílias do MST continuam com a ocupação da sede do Incra em Petrolina.

No Ceará, 200 sem-terra continuam com ocupação no Incra em Fortaleza. Foram realizados protestos em mais três municípios do Ceará.

Em Goiás, cerca de 2.000 integrantes do MST e do Fórum Estadual pela Reforma Agrária fizeram ato na Assembleia Legislativa em defesa da reforma agrária e da educação, saúde e assistência técnica nos assentamentos do Estado.

Em São Paulo, os 1.000 trabalhadores rurais da marcha do MST fizeram um ato em frente ao TRF (Tribunal Regional Federal).

Em Santa Catarina, o MST participou de ocupação de área de 200 hectares, em Florianópolis, em protesto contra a área cedida pelo governo do Estado para dois grupos empresariais do ramo de hotelaria.

No Mato Grosso do Sul, cerca de 850 sem-terra continuam a marcha iniciada no sábado, que chegará sexta-feira à Campo Grande. Com o lema "Terra, Trabalho e Soberania", a 6ª Marcha Estadual alerta sobre necessidade da reforma agrária para a construção de uma alternativa à crise econômica.