Se a senadora Marina Silva (PT-AC) sair do seu partido para disputar a
Presidência da República pelo PV os aliados preferenciais virão da base
que sustenta os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do
governador paulista, José Serra.
Em entrevista ao UOL Notícias,
o presidente nacional do PV, vereador José Luiz de França Penna,
afirmou que PDT, PSB e PPS, "hoje de alguma forma já próximos", estão
entre os partidos favoritos para fortalecer a base de uma eventual
candidatura da ex-ministra do Meio Ambiente ao Palácio do Planalto.
Hoje
eles orbitam em torno das pré-candidaturas da petista Dilma Rousseff,
atual ministra-chefe da Casa Civil, e do tucano Serra, favorito do PSDB
para a sucessão, à frente do governador mineiro, Aécio Neves, nas
pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2010.
"Esses
partidos são próximos de Lula e Serra porque construíram alianças para
fazer esses governos assumirem. O futuro nós poderemos construir de
maneiras diferente", afirmou Penna, que citou o senador Cristovam
Buarque (PDT-DF) como um "importante interlocutor no atual momento por
conta de sua histórica contribuição com a educação".
O
presidente do PV avalia que a eventual candidatura de Marina não teria
dificuldade para se posicionar diante do eleitorado por ter feito parte
do governo Lula, que deve Dilma como sua candidata à sucessão.
Discordâncias com a ministra na área ambiental são citadas por pessoas
próximas a Marina como principal motivo para sua saída da administração
petista.
Em suas conversas com a senadora ficou claro que ela não está
preocupada em se reeleger para o Senado, disse Pena. "Ela está
raciocinando no parâmetro dessa decisão do projeto para o país. É o
pós-Lula. Ela tem 15 anos de senado, foi ministra, tem muita tarimba.
Acho que temos condições de disputar, de ganhar", afirmou.
Divergências com Dilma
"Depois
de um certo aprofundamento das divergências com alguns setores do
governo, resolvemos convidá-la para participar do partido. E aí surgiu
no meio dessa conversa a possibilidade de ela ser candidata à
Presidência da República", afirmou o vereador, que integra a base de
sustentação da gestão de Gilberto Kassab (DEM) na Prefeitura de São
Paulo.
"A presença de Marina é uma constante quando discutimos um Brasil
sustentável. Na eleição de 2010 estava tudo muito pragmático, tendendo
para situação plebiscitária, não havia discussão sobre o país.
Conseguimos forçar uma discussão de mérito e de conteúdo de todos os
outros candidatos que estarão na disputa", disse.
Nesta
segunda-feira, Marina esteve em Salvador para conversar com o
governador da Bahia, Jaques Wagner, sobre sua possível saída do
partido. Ela passou o fim de semana conversando com outras lideranças
petistas do seu Estado, como o governador Binho Marques, e ainda não se
pronunciou sobre se deixará o PT.
O presidente do PV afirmou que
sua amizade com Marina é antiga e se transformou recentemente em
convite para integrar o partido em meio à revisão programática da
sigla. "Há elementos novos na luta pelo meio ambiente que precisam
estar de maneira clara no programa e achamos que é esse o momento",
comentou. Ele negou que a senadora petista também assumiria a
presidência do partido se optar pela troca.
Penna disse também
que mesmo sem ter experiência em governos estaduais, o PV tem
capilaridade que não desautoriza o partido a ter candidatura à sucessão
de Lula. "Quando o PT surgiu, Lula também não tinha um grande leque de
alianças. Fernando Collor não tinha e chegou", comparou. "Queremos um
grande leque de alianças e caso a gente chegue a isso poderemos acabar
com essa confusão de tantos social-democratas adversários no Brasil",
disse.
PV quer atrair aliados de Serra e Dilma se Marina Silva se candidatar à Presidência
11/08/2009, 10:35 - Política
Por carlinhos
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