O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) abriu 51 processos ético-profissionais contra o médico Roger Abdelmassih,  especialista em reprodução assistida. O médico foi indiciado em junho pela Polícia Civil, sob suspeita de estupro e atentado violento ao pudor contra suas pacientes.

De acordo com a assessoria de imprensa do Cremesp, a abertura dos processos foi decidida na sexta-feira (7), em reunião plenária do conselho. Os processos, todos individuais, estão relacionados a cada uma das vítimas que apresentaram denúncia ao Cremesp. Até o começo da tarde desta terça-feira (11), o conselho informou que não tinha informações sobre se o médico foi notificado de cada um dos processos.
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Eles foram originados de sindicâncias abertas conforme as pacientes que relataram ter sofrido abusos procuraram o conselho. As vítimas foram encaminhadas pelo Ministério Público durante as investigações do caso.

Segundo o Cremesp, como a quantidade de sindicâncias abertas era muito grande, a plenária decidiu transformá-las em processo. A pena máxima é a cassação do registro profissional – que precisa ser referendada pelo Conselho Federal de Medicina.

Outro lado

Procurado pelo G1, o advogado José Luis Oliveira Lima, que defende Abdelmassih, informou que ainda não foi notificado oficialmente sobre a abertura dos processos. “Tomei conhecimento pela imprensa. Sabíamos da instauração das sindicâncias, para as quais já foram apresentadas defesas. Temos agora que aguardar uma nova intimação para apresentar uma nova defesa”, afirmou.

O advogado disse que a transformação das sindicâncias em processos é um movimento normal e que ele e seu cliente estão tranquilos em relação ao andamento dos processos. “Temos tranquilidade de que durante esse procedimento, com a oitiva das testemunhas e apresentação das provas, ficará demonstrada a total improcedência das acusações”, disse Lima.

Histórico

As investigações começaram a ser feitas no início do ano passado, quando ex-pacientes procuraram o Gaeco, um grupo especial do Ministério Público. A maior parte das pacientes tem idades entre 30 e 45 anos e são de vários estados do país. O relato mais antigo é de 1994 e há outros de 2005, 2006 e 2007. Algumas chegaram a procurar a polícia na época, mas a maioria só se manifestou após ver os relatos na imprensa.

De acordo com a Promotoria, os relatos das pacientes são muito parecidos quanto à forma de abordagem no consultório. Os supostos ataques ocorreriam quando as pacientes estavam voltando da sedação ou até mesmo sem estarem sedadas e em momentos quando não havia outra pessoa na sala. Os promotores tentaram denunciar o médico no ano passado, mas a Justiça não aceitou a denúncia justificando que os promotores não tinham poder para investigar. O caso foi encaminhado para a polícia, naquela ocasião.