A simpatia deve ser uma das armas de Antonio Fagundes para atrair público para seu novo espetáculo, o monólogo "Restos", dirigido por Marcio Aurelio, que estreia no dia 20 deste mês. Pelo menos foi assim que o ator se apresentou aos jornalistas que compareceram à entrevista coletiva sobre a peça na última segunda-feira (10), na Faap (Fundação Armando Álvares Penteado), região central da capital de São Paulo.

Fagundes, que chegou pontualmente ao evento, fez questão de cumprimentar cada um dos presentes, dispensou seu lugar no "palco" e sentou próximo ao time de repórteres. Entre os assuntos tratados, a dificuldade de se montar um espetáculo atualmente e a escolha do texto do cineasta e escritor norte-americano Neil LaBute.

Questionado duas vezes sobre a polêmica envolvendo o fato de ter dito que fumaria durante "Restos" --antes da liberação do fumo em espetáculos teatrais em São Paulo, por parte do governo--, o ator não quis comentar. "Encerramos esse assunto. Está ótimo."

O espetáculo solo, protagonizado e produzido por ele, apresenta um homem que ficou viúvo e faz revelações enquanto dá suas tragadas. "É uma linda história de amor. O texto tem uma força emocional muito grande", explica Fagundes, que fez questão de manter o mistério e revelar muito pouco do desenrolar da obra. "Qual é a novidade da peça? Isso vocês vão ter que ver", disse.

Há quase três anos sem fazer teatro, ele justifica a escolha do texto de Neil LaBute como "química". "Quando eu li esse texto eu ri, me emocionei, me surpreendi. É um texto realmente impactante, é esse impacto que eu quero passar para a plateia."

Embora tenha conseguido autorização do Ministério da Cultura para captar dinheiro via Lei Rouanet, o ator optou por não usar o recurso. "As pessoas não sabem quanto custa montar um espetáculo. Custa muito caro", afirmou. "Antigamente, se pagava uma produção com meia casa durante quatro meses. Hoje, se a casa lota, não se paga nem a manutenção. Fui aprovado pela lei, mas não quis usar. Estou um pouco cansado de ser chamado de ladrão, porque eu não sou, já o Senado está cheio [de ladrões]."

As entradas para "Restos" custam R$ 50 (meia-entrada) e R$ 100 (inteira). A temporada segue "enquanto tiver público".