Fagundes, que chegou pontualmente ao evento, fez questão de cumprimentar cada um dos presentes, dispensou seu lugar no "palco" e sentou próximo ao time de repórteres. Entre os assuntos tratados, a dificuldade de se montar um espetáculo atualmente e a escolha do texto do cineasta e escritor norte-americano Neil LaBute.
Questionado duas vezes sobre a polêmica envolvendo o fato de ter dito que fumaria durante "Restos" --antes da liberação do fumo em espetáculos teatrais em São Paulo, por parte do governo--, o ator não quis comentar. "Encerramos esse assunto. Está ótimo."
O espetáculo solo, protagonizado e produzido por ele, apresenta um homem que ficou viúvo e faz revelações enquanto dá suas tragadas. "É uma linda história de amor. O texto tem uma força emocional muito grande", explica Fagundes, que fez questão de manter o mistério e revelar muito pouco do desenrolar da obra. "Qual é a novidade da peça? Isso vocês vão ter que ver", disse.
Há quase três anos sem fazer teatro, ele justifica a escolha do texto de Neil LaBute como "química". "Quando eu li esse texto eu ri, me emocionei, me surpreendi. É um texto realmente impactante, é esse impacto que eu quero passar para a plateia."
Embora tenha conseguido autorização do Ministério da Cultura para captar dinheiro via Lei Rouanet, o ator optou por não usar o recurso. "As pessoas não sabem quanto custa montar um espetáculo. Custa muito caro", afirmou. "Antigamente, se pagava uma produção com meia casa durante quatro meses. Hoje, se a casa lota, não se paga nem a manutenção. Fui aprovado pela lei, mas não quis usar. Estou um pouco cansado de ser chamado de ladrão, porque eu não sou, já o Senado está cheio [de ladrões]."
As entradas para "Restos" custam R$ 50 (meia-entrada) e R$ 100 (inteira). A temporada segue "enquanto tiver público".