O presidente da Associação de Praças e Soldados da PM (ASPRA), Marcos Prisco, afirmou que o policiamento da capital poderá ficar comprometido na noite desta segunda-feira devido à adesão da categoria à operação "Polícia Legal", iniciada pela manhã. A informação, no entanto, é contestada pelo Governo do Estado e o Comando Geral da PM, que asseguram a manutenção do policiamento na cidade e em todo o Estado, baseados na "falta de adesão dos policiais ao movimento". A informação foi divulgada em nota oficial em que o comando da corporação define a divulgação da falta de policiamento como uma "tentativa de alguns representantes de associações em espalhar o medo junto à população baiana".
A operação "Polícia Legal" prevê a saída dos policiais às ruas seguindo à risca a Constituição Federal quanto ao uso de equipamentos como colete à prova de bala e viaturas dirigidas por agentes que tenham passado por curso de direção defensiva. Por conta disso, dezessete policiais das Rondas Especiais (Rondesp) se recusaram a dirigir as viaturas da unidade nesta segunda e, de acordo com o comando, estão sujeitos a responder processo por desrespeito à hierarquia. Eles foram ouvidos pelo Departamento de Apoio Logístico da Polícia Militar. Os autos serão encaminhados para a Corregedoria da PM, mas a informação divulgada até o momento é de que eles não serão presos.
Durante todo o dia, a reportagem de A Tarde circulou pelas ruas da cidade e constatou que a adesão ao movimento não é completa, já que parte dos policiais permaneceram dentro das unidades, enquanto outros alegaram ter saído às ruas sob pressão do comando da PM. A Constituição Federal impede que policiais militares façam greve. "Se negar a trabalhar é aderir à greve", disse o governador Jaques Wagner, em entrevista a uma emissora de TV nesta manhã.
Alunos do curso de sargento e cadetes da PM saíram às ruas em substituição aos policiais que aderiram ao movimento da categoria, conforme previsto em plano de contingência definido na noite de domingo pelo comando da PM e pelo governador Jaques Wagner. Logo no início da manhã, antes de sair para realizar o policiamento ostensivo, um estudante da escola de Oficiais da Polícia Militar (PM) atirou acidentalmente na própria mão e na perna de um colega, nas dependências da Vila Policial Militar do Bonfim.
O aluno, que não teve o nome revelado, manuseava uma pistola ponto 40, quando a arma disparou. Os dois foram levados para o Hospital Agenor Paiva e não correm risco de morte. De acordo com a polícia, os alunos nunca tinham manuseado esse tipo de arma, que possui uma dispositivo de trava diferente.
O presidente da Associação de Praças e Soldados da PM, Marcos Prisco, disse que os policiais estão nos postos, mas que não vão para rua. De acordo com ele, só vai sair quem estiver com condições e equipamentos apropriados.
Negociação - O governador Jaques Wagner disse ainda, em entrevista à TV, que está aberto à negociação com os Policiais Militares. "Ofereço de um lado o diálogo aberto, mas cobro o respeito à ordem militar e à hierarquia".
Wagner argumentou que já abriu licitação para aquisição de armamento, coletes e viaturas e que o comando da PM iniciou o processo para a realização de cursos de direção de carros de emergência, necessário para conduzir as viaturas e que os policiais alegam não possuir. O governador disse ainda que o curso tem duração de 15 dias e já pode ser iniciado na próxima semana.
"Com relação à estrutura salarial é um processo mais longo", disse, acrescentando que há possibilidade de aumentar a remuneração dos policiais, mas que isso "requer um tempo de negociação".
Força Nacional de Segurança - “Utilizaremos nossas próprias ferramentas e, somente se necessário, recorreremos à Força Nacional de Segurança”, informou o assessor de comunicação do governo do Estado, Ernesto Marques. Segundo ele, já houve um contato entre o governador Jaques Wagner e o ministro de Justiça, Tasso Genro, que colocou à disposição um contingente ainda não definido. Marques ressaltou que houve ganhos para a corporação, mas admitiu que nem todas as exigências podem ser cumpridas por imposição dos limites orçamentários.
E garantiu que o governo não vai dialogar caso o movimento seja deflagrado. “Iniciado o movimento encerram-se as negociações”, enfatizou. Interlocutor entre a União das Associações de Policiais e o governo, o deputado Capitão Tadeu (PSB), afirmou que haverá redução do policiamento. “A estimativa é que a operacionalidade da PM na prevenção e repressão seja reduzida em 50%”, completou o parlamentar, que é capitão reformado da PM.
Associação de PMs ameaça, mas comando garante policiamento noturno em Salvador
11/08/2009, 03:46 - Brasil/Mundo
Por eduardocardeal
Comentários
Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Carregando comentários..