A Polícia Federal em Brasília confirmou que indiciou nesta segunda-feira (10) o ex-diretor de Recursos Humanos do Senado João Carlos Zoghbi.
Segundo informações preliminares, ele foi acusado pelos crimes de concussão, inserção de dados falsos em sistema de informação e formação de quadrilha no caso que investiga os contratos de crédito consignado do Senado. Ele é a primeira pessoa indiciada pela PF no caso.

O Ministério Público Federal pediu em maio à PF a abertura de inquérito para investigar as operações de crédito consignado do Senado, que teriam movimentado R$ 1,2 bilhão nos últimos três anos. No final de julho, a PF confirmou que entrou com pedido de quebra do sigilo bancário de Zoghbi e também do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia - que não possuem foro privilegiado.

O filho do ex-diretor de Recursos Humanos, Marcelo Zoghbi, seria sócio de empresas que intermediavam as operações de crédito consignado dos funcionários do Senado.

As investigações sobre o esquema começaram pela Polícia Legislativa, que indiciou Zoghbi em abril deste ano por formação de quadrilha e falsidade ideológica.

O advogado de Zoghbi, Antônio Carlos de Almeida Castro, questiona tecnicamente o indiciamento da PF e afirma que a situação é uma exacerbação da crise pela qual passa o Senado. "Tecnicamente ele [Zoghbi] poderia fazer o que fez. Ao contrário do Executivo, não havia esse limite no Legislativo", disse. Castro se refere à acusação de que Zoghbi teria autorizado empréstimos acima da margem permitida, que é de 30% do salário de cada servidor, para favorecer o filho. "Nunca houve questionamento sobre isso", completou.

No começo de julho, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), oficializou a abertura de processo administrativo contra Zoghbi e Agaciel Maia. Ambos, afastados do cargo, são investigados também pela edição dos atos secretos, que serviram para nomear afilhados e parentes, além de aumentar salários e benefícios, por exemplo. Zoghbi também é investigado por ter repassado para o filho um apartamento funcional que tinha direito.