Depois de arquivar sumariamente as últimas sete denúncias de quebra do decoro parlamentar contra o senador José Sarney (PMDB-AP), o presidente do Conselho de Ética do Senado, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), aproveitou o Dias dos Pais com os dois filhos e os quatro netos no Rio, sem dramas de consciência. Ele se diz certo de que, como um magistrado, acertou ao recusar os processos contra o presidente do Senado sem se deixar pressionar pelo clamor popular pela queda de Sarney diante das evidências de nepotismo e tráfico de influência.
"Não perdi o sono. Senti-me feliz da vida por ter feito aquilo, porque a pressão era muito grande para que fizesse o contrário. Preferi agir mais com a minha consciência do que fazer com aplauso fácil", disse o senador.
Ele fez questão de dizer o que pensa sobre a opinião pública, que a respeita, que não é como o deputado que chocou ao dizer que se lixa.
"A opinião pública é volúvel. Ela muda muito rápido, para ser justa ou injusta", afirma Duque, citando a leitura de "A Psicologia das Multidões", do francês Gustave Le Bon, como uma de suas preferidas. Por isso, garante ter recorrido apenas a uma "análise jurídica" das representações contra Sarney para decidir arquivá-las por falta de fundamentos. "Não fujo da minha responsabilidade. Eu seria um mau juiz se fizesse isso. Não estou preocupado com o que podem falar a meu respeito", avisa.
Duque recusa o papel de engavetador e argumenta que não deu a palavra final sobre o futuro de Sarney, mas "a primeira". Lembrou que os denunciantes podem recorrer do arquivamento e o colegiado do conselho pode decidir pela abertura dos processos. "Não é uma coisa arbitrária minha, isso vai ser definido pelo conselho", afirmou. "É muito importante ter independência. Depois, se o conselho se reunir e tomar uma posição independente da minha, é outra coisa".
As sete ações arquivadas na sexta-feira (07/08):
Representações
PSDB
* alega que Sarney nomeou parentes via atos secretos
* acusa Sarney de ter favorecido a empresa de crédito consignado do neto a atuar com servidores
* acusa Sarney de desvio de dinheiro público por meio de patrocínio cultural à Fundação Sarney
PSol
* acusa Sarney de esconder da Justiça um imóvel no valor de R$ 4 milhões e de ter conta no exterior
Denúncias
Assinadas por Arthur Virgílio e Cristovam Buarque
* aponta que Sarney teria sido beneficiado com informações da Polícia Federal sobre o inquérito de seu filho Fernando Sarney
* indica que Sarney teria vendido terras não registradas no nome dele e não pagar imposto por isso
Assinada por Arthur Virgílio
* acusa Sarney de contratar o neto da namorada, Henrique Dias Bernardes, por meio de atos secretos
As cinco denúncias arquivadas na quarta-feira (05/08):
PSol
* pede investigação sobre o suposto envolvimento do senador José Sarney como presidente do Senado na edição dos atos secretos
* requer investigação sobre o suposto envolvimento do senador Renan Calheiros como presidente do Senado na edição dos atos secretos
PSDB
* solicita a investigação do envolvimento de José Adriano Sarney, neto do presidente do Senado, na intermediação de empréstimos consignados dentro da Casa; e ainda pede a investigação relativa à nomeação de parentes e agregados de sua família para cargos na instituição
* requer a investigação sobre a denúncia de que a Fundação José Sarney teria desviado para empresas da família ou fantasmas pelo menos R$ 500 mil dos R$ 1,3 milhão, obtidos por meio de patrocínio cultural da Petrobras
* pede providências contra o senador José Sarney por quebra de decoro parlamentar por ter mentido ao declarar que não tinha responsabilidade na administração da Fundação Sarney, apesar de ser presidente vitalício da entidade
Duque diz não perder o sono ao arquivar denúncias
10/08/2009, 02:30 - Política
Por annaclaudia
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