O deputado Domingos Dutra (PT-MA) foi à tribuna da Câmara hoje (quinta, 6) para acusar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de tentar impedir que sua publicação, o livreto O camaleão, fosse distribuída no Congresso. Em ofícios encaminhados, respectivamente, nos dias 13 e 17 de julho à subsecretaria de Proteção a Autoridades (subordinada à Polícia Legislativa do Senado) e ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), Sarney comunica e pede providências em relação ao fato de que, no dia 9 daquele mês, Dutra distribuiu a publicação a senadores, durante a sessão solene em homenagem ao maestro Silvio Barbato (morto no acidente da Air France, em junho), no plenário do Senado.

No ofício endereçado a Temer, Sarney alega que O camaleão “contém referências agressivas à pessoa do presidente do Senado Federal”. “Como tal fato constitui conduta vedada a parlamentares, (...) encaminho a vossa excelência, para as providências devidas, a presente comunicação, que se faz acompanhar do respectivo expediente da Polícia do Senado Federal”, diz trecho do comunicado, que já havia sido repassado pelo diretor da subsecretaria de Proteção a Autoridades, Alex Nobre, à secretária Geral da Mesa do Senado, Claudia Lyra.     

No discurso feito hoje na tribuna, o deputado maranhense desafiou Sarney a desmentir as informações publicadas no livreto. Adversário político de Sarney no Maranhão, Dutra disse ao Congresso em Foco que fez reclamação formal na Corregedoria da Câmara contra a “tentativa de censura” de Sarney, e que o corregedor, deputado ACM Neto (DEM-BA), garantiu que levaria a reclamação a Temer nma próxima terça-feira (11).

“[A atitude] de Sarney é vício de quem serviu ao regime militar. Sarney se sente amparado em uma maioria esmagadora no Senado, na popularidade e no apoio do presidente Lula, e acha que pode se dar ao luxo de debochar do poço brasileiro”, disse Dutra à reportagem, referindo-se à insistência de Sarney em permanecer na presidência do Senado, mesmo diante da pressão de parlamentares e da opinião pública, ante a crise institucional instalada há meses e que o tem como protagonista.

“Agora, ele tenta intimidar nós parlamentares. Vou examinar o regimento interno da Casa e verificar que providências eu peço ao presidente da Câmara”, conclui o deputado petista.

Segundo o secretário-geral da Mesa Diretora da Câmara, Mozart Viana, o regimento prevê, nestes casos, um voto de censura contra Dutra, mas não cabe processo por quebra de decoro.