A pressão para que o senador José Sarney (PMDB-AP) deixe a presidência do Senado tornou-se mais intensa nesta quinta-feira. Há pouco, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) leu, em plenário, um manifesto, assinado por 39 dos 81 senadores, pedindo que o peemedebista se licencie do cargo até o fim da apuração das denúncias que pesam sobre ele.

No documento, o grupo de senadores afirma que “para iniciar a recuperação da dignidade do Senado é preciso a apuração com credibilidade de todas as denúncias contra a administração da Casa e o envolvimento de Vossa Excelência [Sarney]”.

- O primeiro passo para isso é o afastamento de Vossa Excelência da presidência do Senado durante os trabalhos de investigação na Comissão de Ética - diz trecho do manifesto.

Para o grupo de senadores, o licenciamento de Sarney seria “um gesto histórico em defesa do Senado e de sua biografia pessoal”.

Presidindo a sessão, Sarney agradeceu a Cristovam pelo cuidado com sua biografia de ex-presidente, sem, no entanto, se pronunciar sobre o manifesto.

- Agradeço pelo zelo e a isenção que tem pela minha biografia - disse Sarney.

Nesta quarta-feira, o presidente do Conselho de Ética do Senado, Paulo Duque (PMDB-RJ), arquivou três das cinco denúncias apresentadas pelo líder tucano, Arthur Virgílio (AM), contra Sarney. Aliado de Sarney, Duque também arquivou outras duas representações do P-SOL, uma contra o presidente do Senado e outra contra o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL).