O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), tentou confundir os
senadores no seu discurso ontem em plenário. Durante os 48 minutos em
que apresentou sua defesa para as denúncias contra ele no Conselho de
Ética, cometeu uma série de deslizes.
Num jogo de palavras,
misturou duas investigações da Polícia Federal para insinuar que as
gravações divulgadas pelo Estado no dia 22 de julho - em que ele
negocia a nomeação do namorado da neta - poderiam ter sido montadas. Os
áudios publicados no jornal são autênticos, do começo ao fim de cada
telefonema, sem edição, e a voz de Sarney é real.
Na conversa,
Sarney fala com o filho Fernando Sarney sobre a nomeação de Henrique
Dias Bernardes - então namorado de Maria Beatriz Sarney - e diz que vai
discutir o assunto com o ex-diretor Agaciel Maia.
As
gravações, feitas pela Polícia Federal com autorização da Justiça,
fazem parte da Operação Boi Barrica, em que a PF investiga o filho do
presidente do Senado. Em seu discurso ontem, Sarney admitiu que era sua
a voz nas gravações. Ele argumentou que os áudios não poderiam ser
divulgados porque envolviam um senador, que tem foro privilegiado no
Supremo Tribunal Federal (STF). “Trata-se de conversas coloquiais entre
familiares”, disse.
Logo depois, começou a falar de uma suposta
montagem, sem, porém, explicar imediatamente do que se tratava. “Agora,
quero mostrar aos senhores os métodos que foram adotados. Não
encontrando nada contra mim, então, faltando, acho, notícia, querendo
generalizar, os senhores vão ficar pasmados: fraudaram a fita que
distribuíram aos jornais e incluíram o meu nome com a voz de uma outra
pessoa”, afirmou.
Somente depois Sarney explicou que se referia
à Operação Navalha, realizada em 2007 pela PF para desmontar um esquema
de fraudes em licitações. Essa investigação envolveu o empresário
Zuleido Veras - dono da Gautama - suspeito de ligação com a família
Sarney. Segundo o senador, um áudio - que o Estado jamais divulgou -
teria sido montado. Numa gravação em que Zuleido teria dito que iria à
casa de Sarney, a voz não seria do empresário, mas de outra pessoa.
Discurso de José Sarney manipula dados
06/08/2009, 05:01 - Política
Por carlinhos
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