A temperatura promete ser elevada nesta quarta-feira no Congresso. Apesar da pressão cada vez mais intensa que tem sofrido de partidos oposicionistas e até de parlamentares governistas para se afastar da presidência do Senado, José Sarney (PMDB-AP) resiste, e promete responder ao líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), que voltou a pedir sua saída em discurso no plenário após a sessão do Conselho de Ética, marcada para as 15h.
Na noite desta terça, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que reafirmou após o encontro que Sarney não renunciará. Mais cedo, Lula recebeu o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), oficialmente para tratar de assuntos de Alagoas
- O presidente continua muito empenhado no sentido de que o Senado resolva a questão por conta própria. Evidentemente que demonstrou todo o apreço pelo presidente Sarney - disse Temer.
A tropa de choque de Sarney, liderada pelo líder peemedebista, Renan Calheiros (AL), aposta na eleição de Gim Argello (PTB-DF) - alvo de investigação na Justiça por grilagem de terrenos milionários na capital federal - para a vice-presidência do colegiado, como forma de blindar o presidente da Casa e fechar os caminhos que levem a uma investigação por quebra de decoro. Argello atuaria ao lado do presidente do Conselho, Paulo Duque (PMDB-RJ).
- O meu vice presidente será o Gimmm Argeloooo!!! Já está combinado - contou Paulo Duque, enfatizando o nome do integrante da tropa de choque sarneyzista.
É pouco provável que Sarney renuncie ou anuncie sua licença nesta quarta, o que tem sido negado por seus aliados. Mas tudo pode acontecer, dependendo dos desdobramentos até o fim do dia
Foi para evitar que se acentuasse o clima de guerra que Sarney adiou para esta quarta seu discurso. Ele estava disposto a usar um tom acima do que estava adotando até então. Mas, diante das ponderações de aliados, deve evitar ataques.
- Vou fazer um discurso de defesa - limitou-se a dizer Sarney.
Ao deixar o plenário, Sarney foi cumprimentar vários senadores, com que trocou algumas palavras. Numa roda em que estavam os senadores Antonio Carlos Junior (DEM-BA) e João Durval (PDT-BA), Sarney foi questionado pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) por causa da tropa de choque do dia anterior. Sarney retrucou:
- Não tenho tropa de choque nenhuma. Agora, a verdade é que estou sendo massacrado. Querem me enxovalhar - respondeu Sarney, demonstrando mágoa.
Em outra roda, ao ser cumprimentado por José Agripino, Sarney pediu para o líder do DEM agir com o coração. Agripino respondeu que gostaria, mas que as circunstâncias não permitiam. Sarney disse ainda que era preciso separar o que é política do que é a questão jurídica.
- O adiamento do discurso de Sarney foi uma boa decisão. O pronunciamento hoje (terça) poderia colocar mais gasolina nessa crise. E na política um dia é tempo demais. Ninguém está mudando de posição, mas tem que ter forma - disse o líder Romero Jucá.